Agro se reúne após crise envolvendo Flávio Bolsonaro e discute alternativas para 2026

POR Marcos Paulo | 26/05/2026
Agro se reúne após crise envolvendo Flávio Bolsonaro e discute alternativas para 2026
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A Confederação Nacional da Agricultura (CNA), principal entidade representativa do agronegócio brasileiro, convocou para a próxima quarta-feira (27) uma reunião com os presidentes das federações estaduais para discutir o cenário das eleições de 2026 e o posicionamento político do setor diante da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

 

Embora o encontro já estivesse programado antes da repercussão do caso Master, o desgaste do senador acelerou as discussões internas no agro. Flávio era visto até então como o principal nome da direita com maior apoio entre produtores rurais e lideranças do setor.

 

Segundo fontes ligadas ao agronegócio, a avaliação atual é de que a confiança em Flávio Bolsonaro foi abalada e que a recuperação de sua credibilidade política será difícil. Nos bastidores, integrantes do setor afirmam que já existia preocupação com possíveis denúncias contra o senador devido ao histórico de investigações envolvendo seu nome, mas ainda assim ele era considerado a principal aposta contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que enfrenta forte rejeição dentro do agro.

 

Durante a reunião, a CNA pretende debater alternativas eleitorais alinhadas à pauta do setor. Entre os nomes observados estão o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e Renan Santos, do Movimento Brasil Livre (MBL). Apesar disso, há dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de cada um.

 

Internamente, parte das lideranças avalia que Caiado pode enfrentar dificuldades para consolidar uma candidatura nacional competitiva. Já Zema é considerado um nome bem avaliado pelo setor, mas declarações envolvendo o Nordeste ainda são vistas como obstáculo político. Renan Santos, por outro lado, é tratado por integrantes da CNA como uma aposta considerada arriscada para a disputa presidencial.

 

Outra possibilidade ventilada nos bastidores seria uma eventual chapa formada pela ex-ministra da Agricultura e atual senadora Tereza Cristina (PP-MS) ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). No entanto, aliados avaliam que a resistência do ex-presidente Jair Bolsonaro à composição dificulta a viabilização do projeto.

 

Caso nenhum nome consiga ganhar força nos próximos meses, integrantes do setor acreditam que parte do agronegócio poderá acabar retornando ao apoio a Flávio Bolsonaro, mesmo diante do desgaste recente.

 

Além da disputa presidencial, a CNA também quer definir estratégias para ampliar a influência do agronegócio no Congresso Nacional a partir de 2027. Apesar de a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ser atualmente a maior bancada organizada de Brasília, com cerca de 350 parlamentares inscritos, lideranças avaliam que apenas entre 30 e 50 deputados e senadores são considerados efetivamente fiéis às pautas do setor.

 

Um dos principais pontos de incômodo é o apoio de integrantes da bancada ruralista à PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, proposta rejeitada pelo agronegócio por possíveis impactos na dinâmica de trabalho no campo.

 

A CNA também pretende alinhar com as federações estaduais a atuação política dos mais de 2 mil sindicatos ligados ao setor. O advogado da entidade, Carlos Bastide, fará uma apresentação para orientar até onde sindicatos e federações poderão atuar nas campanhas eleitorais sem infringir a legislação eleitoral.

 

 

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