O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, criticou nesta terça-feira (28) as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada no último sábado (25), em São Paulo. Segundo Alckmin, as falas representam uma "intromissão em assuntos internos do Brasil" de forma "absolutamente grosseira".
A convenção oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República nas eleições de 2026. Durante o evento, Milei fez ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de "presidiário", e também ofendeu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a quem se referiu como "lixo careca".
Em entrevista após um evento na capital paulista, Alckmin afirmou que é lamentável que um chefe de Estado participe do processo eleitoral de outro país.
"É lamentável que o presidente de um país vizinho amigo, que compõe até o Mercosul, preste um desserviço ao seu país. Porque vem ao Brasil, numa eleição, e presidente não deve se envolver em eleição de outro país", declarou.
Questionado sobre possíveis impactos das declarações nas relações comerciais entre Brasil e Argentina, o vice-presidente evitou responder diretamente. No entanto, destacou a importância da parceria econômica entre os dois países, lembrando que o Brasil é o principal comprador de produtos argentinos e o maior parceiro comercial da Argentina.
Em resposta às declarações de Milei, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou no último domingo (26) o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para manifestar oficialmente a reprovação do governo brasileiro às falas do presidente argentino.
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