Will Rosa / Alego
A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) alcançou, em maio de 2026, um novo recorde no número de servidores comissionados. Segundo dados do Portal da Transparência da Casa, são 6.007 funcionários nessa modalidade de contratação, um aumento de 61,9% em relação a janeiro de 2023, quando o presidente Bruno Peixoto (UB) assumiu a gestão e havia 3.711 comissionados.
O total de comissionados da Alego já supera a população estimada de 109 municípios goianos. Cidades como Caturaí, Simolândia, Santa Rita do Araguaia, Britânia e Fazenda Nova possuem entre 5,3 mil e 5,8 mil habitantes, de acordo com estimativas do IBGE para 2025.
O número também se aproxima da população de Vila Propício, no Entorno do Distrito Federal, que tem 6.028 moradores. Já para igualar a quantidade de comissionados da Assembleia seria necessário somar o dobro da população de Santa Cruz de Goiás, no Sul do estado, ou mais de seis vezes a população de Anhanguera, o menor município goiano.
Atualmente, a Alego possui, em média, 146,5 comissionados para cada um dos 41 deputados estaduais. Desse total, 4.355 estão lotados nos gabinetes parlamentares, enquanto outros 1.652 atuam em setores administrativos da Casa.
Pelas regras vigentes, cada deputado pode contratar até 120 servidores comissionados, desde que respeite o limite mensal de R$ 88,7 mil destinado aos gabinetes. Segundo a Assembleia, quanto maior o número de contratados, menores tendem a ser os salários individuais, modelo utilizado como justificativa para a ampliação do quadro.
Os dados disponíveis no Portal da Transparência, porém, não permitem identificar quantos comissionados trabalham em cada gabinete, já que essa informação não aparece na planilha consolidada da folha de pagamento. Para esse levantamento seria necessário consultar individualmente os contracheques dos mais de seis mil servidores.
Nos bastidores, a informação é de que todos os parlamentares possuem mais de 100 comissionados vinculados aos gabinetes. Além disso, há cargos na estrutura administrativa ocupados por indicação dos deputados.
A folha de pagamento dos comissionados em maio custou R$ 37,5 milhões, além de R$ 6 milhões pagos em auxílios. A despesa total com pessoal da Assembleia, incluindo servidores efetivos, deputados, aposentados e pensionistas, chegou a R$ 59 milhões no período.
Em abril, a Alego contabilizava 5.874 comissionados. Naquele mês, a folha destinada a esses servidores foi de R$ 36,8 milhões.
Bruno Peixoto foi eleito presidente da Assembleia para o biênio 2023-2024 e reeleito para o período de 2025-2026. Durante sua gestão, o limite de comissionados por gabinete foi ampliado de 58 para 95 e, posteriormente, para 120 servidores.
O diretor financeiro da Alego, Edilson Bezerra da Silva, afirma que o aumento no número de comissionados não representa crescimento proporcional nas despesas, já que o orçamento destinado aos gabinetes permanece limitado e pode ser distribuído entre mais servidores com salários menores.
Segundo ele, a Assembleia também ampliou equipes administrativas para atender ao aumento de ações itinerantes, como o programa Deputados Aqui, que passou de uma edição semanal ou quinzenal para três ou quatro eventos por semana.
Silva afirma ainda que pesquisas internas apontam aumento na percepção positiva da população sobre a atuação da Assembleia em razão da maior presença da instituição nos municípios goianos.
Com informações de O Popular.
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