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Anvisa aprova primeiro medicamento capaz de retardar avanço do diabetes tipo 1

POR Marcos Paulo | 12/03/2026
Anvisa aprova primeiro medicamento capaz de retardar avanço do diabetes tipo 1
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o teplizumabe, primeiro medicamento com potencial de modificar o curso do diabetes tipo 1. Comercializado com o nome Tzield, o tratamento é indicado para pacientes adultos e crianças a partir de 8 anos que estejam no estágio 2 da doença, fase em que os sintomas ainda não se manifestaram.

 

O medicamento atua preservando as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Com isso, pode retardar a progressão para o diabetes tipo 1 clínico — etapa em que surgem os sintomas e o uso diário de insulina passa a ser necessário. O tratamento é administrado por infusão intravenosa, uma vez ao dia, durante 14 dias consecutivos.

 

Segundo a endocrinologista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Melanie Rodacki, o medicamento representa uma mudança importante na forma de lidar com a doença. “Com a possibilidade de atrasar o desenvolvimento do diabetes tipo 1 clínico, podemos oferecer às famílias mais tempo para preparação e adaptação. Isso pode evitar diagnósticos traumáticos e reduzir o impacto emocional da doença”, afirmou em comunicado.

 

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune e crônica, caracterizada pela destruição das células beta pelo próprio organismo, o que leva à deficiência de insulina no corpo. Muitos casos ainda são diagnosticados tardiamente, frequentemente após episódios de cetoacidose diabética, uma complicação grave que exige hospitalização de emergência.

 

Apesar disso, exames simples de sangue podem identificar a doença antes do surgimento dos sintomas, por meio da detecção de autoanticorpos específicos e alterações nos níveis de glicose. A progressão ocorre em quatro estágios: os dois primeiros são pré-sintomáticos; o terceiro apresenta hiperglicemia recente, com ou sem sintomas como sede excessiva, perda de peso, fadiga e visão turva; e o quarto corresponde ao diabetes tipo 1 de longa duração.

 

O Tzield age no sistema imunológico, reduzindo a atividade das células que atacam as células produtoras de insulina e aumentando a presença de células que ajudam a controlar essa resposta imune.

 

A aprovação do medicamento foi baseada em um estudo clínico que demonstrou que o tratamento conseguiu atrasar o desenvolvimento do diabetes tipo 1 clínico em uma mediana de dois anos, em comparação ao placebo. O estudo também apontou uma redução de 59% no risco de progressão para a fase que exige uso de insulina.

 

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão diminuição de alguns tipos de glóbulos brancos, erupções cutâneas e dor de cabeça. O tratamento também exige acompanhamento médico, além de cuidados como vacinação adequada antes do início da terapia e monitoramento de possíveis reações imunológicas.

 

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