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Em um cotidiano marcado pela pressa e pelo excesso de estímulos, tornou-se comum o hábito de assistir a vídeos e ouvir áudios em velocidade acelerada enquanto se realizam outras atividades. A prática, adotada com a intenção de economizar tempo ou aprender mais rápido, pode trazer impactos negativos ao funcionamento do cérebro.
Especialistas explicam que assistir a conteúdos acelerados não provoca alterações físicas no cérebro, mas exige que ele processe um volume de informações muito acima do ritmo natural. Com o tempo, esse padrão cria uma adaptação que faz o cérebro buscar estímulos imediatos de forma constante, alterando a organização da atenção e da sensação de prazer.
De acordo com especialistas em saúde mental, quando o cérebro se acostuma a esse ritmo acelerado, ele passa a ter dificuldade para lidar com situações que seguem o tempo normal da vida. Atividades como acompanhar uma conversa, esperar o desenvolvimento de uma ideia ou realizar tarefas mais lentas podem gerar incômodo, impaciência e desconforto.
Ainda segundo especialistas, pessoas que consomem conteúdos sempre acelerados relatam com frequência sintomas como dificuldade de concentração e irritabilidade, resultado de um cérebro treinado para operar em alta velocidade.
Entre os principais prejuízos associados ao hábito estão a redução da capacidade de concentração, baixa tolerância ao tédio, absorção superficial de conteúdos, dificuldade para relaxar, alterações no sono e prejuízos na compreensão das informações.
Além de receber mais estímulos do que consegue processar, o consumo acelerado faz com que o conteúdo aprendido seja rapidamente esquecido, criando a falsa sensação de aprendizado. Para que a informação seja registrada e transformada em memória, é necessário um estado de atenção plena.
Em pessoas neurodivergentes, como aquelas diagnosticadas com TDAH, esse efeito tende a ser ainda mais intenso, já que a atenção é um fator essencial para a consolidação de qualquer tipo de conhecimento.
Especialistas em neurologia explicam que, principalmente em temas que não despertam interesse, o cérebro tenta acompanhar a velocidade, mas não consegue transformar o conteúdo em aprendizado útil. Por isso, conteúdos consumidos de forma acelerada não contribuem para a resolução de problemas nem para o aprendizado prático no dia a dia.
Alguns sinais indicam que o consumo acelerado de vídeos começou a interferir na rotina. Entre eles estão dificuldade para realizar tarefas no ritmo normal, irritação diante de situações mais lentas, sensação constante de desatenção, uso excessivo de vídeos acelerados ao longo do dia, conflitos familiares ou profissionais e dificuldade para relaxar mesmo longe das telas.
Nesses casos, especialistas recomendam buscar orientação profissional para reavaliar hábitos e proteger a saúde mental.
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