Dados inéditos de duas pesquisas qualitativas da NielsenIQ revelam uma mudança no padrão de consumo das famílias brasileiras. As apostas online, conhecidas como “bets”, já fazem parte de 26% dos lares no país, com maior presença entre as classes D e E. Já as chamadas canetas emagrecedoras aparecem em 25% a 30% das residências, considerando produtos regularizados, versões irregulares e até aplicações manipuladas — prática proibida pela Anvisa.
Os levantamentos têm como base o Painel de Lares da NielsenIQ, que acompanha mais de 8 mil domicílios em todo o Brasil, além do Retail Index, que monitora dados de vendas no varejo, incluindo farmácias. Embora os resultados completos sejam divulgados apenas no fim do mês, os principais dados já foram antecipados e indicam uma transformação significativa nos hábitos de consumo.
No setor farmacêutico, a procura por medicamentos para emagrecimento ganhou força. Durante a última Black Friday, três dos cinco produtos mais vendidos nas farmácias foram canetas emagrecedoras. O custo mensal do tratamento varia de acordo com o medicamento: o Mounjaro tem preço inicial de R$ 1.400, enquanto alternativas à base de liraglutida, como o Olire (EMS), custam a partir de R$ 300 por mês. A expectativa é que a queda da patente do Ozempic, prevista para março, amplie a oferta e pressione os preços para baixo.
Já no caso das apostas online, o impacto é mais evidente nas faixas de menor renda. De acordo com a NielsenIQ, parte dos consumidores vê nas bets uma tentativa de complementar a renda. A própria empresa destaca que o número pode ser ainda maior, já que muitos usuários não assumem publicamente o hábito. Há relatos de pessoas que deixam de comprar alimentos e bebidas para manter apostas diárias, na expectativa de obter ganhos financeiros.
Os dados reforçam um cenário de reconfiguração do consumo no país, com gastos cada vez mais direcionados a apostas digitais e produtos ligados à estética e à perda de peso.
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