Cientistas estão acompanhando de perto o comportamento incomum de um buraco negro supermassivo que vem chamando atenção por seus “hábitos alimentares” nada convencionais. O objeto está localizado no centro de uma galáxia distante, muito além da Via Láctea, e segue expelindo um jato de material em altíssima velocidade após destruir e consumir uma estrela que se aproximou demais.
O monitoramento é feito principalmente com radiotelescópios instalados no Novo México, nos Estados Unidos, e na África do Sul. O que torna o fenômeno tão raro é a intensidade e, principalmente, a longa duração dessa ejeção de matéria — algo que nunca havia sido observado com tamanha persistência.
Segundo os pesquisadores, após a estrela ser rasgada pelas forças gravitacionais extremas do buraco negro, o material resultante demorou cerca de dois anos para começar a ser lançado de volta ao espaço. Desde então, esse jato segue ativo há seis anos e continua se intensificando, tornando-se um dos eventos mais poderosos já registrados no universo.
“O aumento exponencial no brilho dessa fonte é sem precedentes. Hoje ela é cerca de 50 vezes mais luminosa do que quando foi descoberta e extremamente brilhante em ondas de rádio. Isso já dura anos, sem qualquer sinal de enfraquecimento, o que é muito incomum”, explicou a astrofísica Yvette Cendes, da Universidade de Oregon, autora principal do estudo publicado nesta quinta-feira no Astrophysical Journal.
O buraco negro está a aproximadamente 665 milhões de anos-luz da Terra e possui uma massa cerca de cinco milhões de vezes maior que a do Sol — valor semelhante ao do buraco negro supermassivo localizado no centro da Via Láctea. A estrela destruída era uma anã vermelha, com cerca de um décimo da massa solar.
Quando um corpo celeste cruza o chamado horizonte de eventos, ponto sem retorno de um buraco negro, ele pode ser destruído em um fenômeno conhecido como evento de ruptura por maré. Nesse processo, a estrela é esticada e despedaçada pelas forças gravitacionais, em um efeito apelidado pelos cientistas de “espaguetificação”.
“Qualquer objeto que se aproxime demais corre o risco de ser alongado em um fluxo de detritos. Parte desse material cai em direção ao buraco negro e se aquece, mas outra parte nunca chega a ser engolida”, explicou a astrofísica Kate Alexander, da Universidade do Arizona, coautora do estudo.
Segundo ela, a intensa emissão de rádio observada ocorre justamente porque parte da matéria estelar é aquecida e expelida violentamente, em vez de ser absorvida por completo. “É como um bebê exigente que mastiga a comida e cospe, ao invés de engolir”, comparou.
Ainda não há uma explicação definitiva para o motivo desse evento ter sido tão espetacular. A hipótese é que campos magnéticos ao redor do buraco negro estejam envolvidos na formação do chamado jato relativístico, mas os cientistas admitem que algo fora do comum precisou acontecer.
A expectativa agora é entender até quando o fenômeno continuará. Os pesquisadores acreditam que o jato pode atingir seu pico entre o fim deste ano e o próximo. Depois disso, a tendência é de uma redução gradual, embora ele ainda possa ser observado por mais uma década ou até além.
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