O pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), comparou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao comentar a investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Sem citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, Caiado afirmou que o Brasil vive uma "monarquia disfarçada de república", em que pais protegem seus filhos.
“É uma monarquia disfarçada de república, onde o rei protege o príncipe. Estou falando de Lula e Lulinha, mas pode ser interpretado como outro pai que protege outro filho. Já passou da hora de acabar com essa farsa!”, escreveu o governador de Goiás nas redes sociais.
A declaração ocorreu após o ministro André Mendonça, do STF, autorizar, na quinta-feira (30), a abertura de um inquérito para apurar supostos crimes de corrupção e tráfico de influência envolvendo negócios ligados à cannabis medicinal no Ministério da Saúde.
Na sexta-feira (31), Lula afirmou que não utilizará o cargo para beneficiar o filho. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente disse que Lulinha será tratado como qualquer outro investigado e que não haverá privilégios caso as acusações avancem.
“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu fui. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas”, afirmou.
Lula também garantiu que, se houver julgamento, o empresário responderá à Justiça no Brasil.
“Se for julgado, ele virá para cá, não vai ficar escondido. Não vou utilizar o meu cargo para proteger.”
A defesa de Lulinha criticou a abertura da investigação. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, afirmou ter recebido a decisão com "perplexidade", classificando a medida como incomum.
Segundo ele, há a impressão de que a Polícia Federal estaria promovendo uma espécie de fishing expedition — expressão utilizada para se referir à busca por provas sem indícios concretos —, o que, na avaliação da defesa, seria grave. Apesar disso, o advogado afirmou que recebeu a notícia com tranquilidade e disse confiar na condução do caso.
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