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Câncer de pênis provoca quase 3 mil amputações no Brasil em cinco anos, aponta SBU

POR Marcos Paulo | 05/02/2026
Câncer de pênis provoca quase 3 mil amputações no Brasil em cinco anos, aponta SBU
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Um levantamento divulgado nesta terça-feira pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) acende um alerta preocupante: 2.949 amputações parciais ou totais do pênis foram realizadas no Brasil nos últimos cinco anos em decorrência do câncer que atinge o órgão. Os dados abrangem o período de janeiro de 2021 até novembro de 2025.

 

As informações foram extraídas do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), ambos do Ministério da Saúde. Além das amputações, o levantamento também aponta que 2.359 pessoas morreram no país em consequência da doença no mesmo período.

 

Neste mês, a SBU intensifica uma campanha nacional de conscientização para orientar a população sobre os sinais iniciais do câncer de pênis e reforçar a importância da prevenção. A entidade destaca que, apesar de ser amplamente evitável, a doença ainda causa mutilações todos os anos, principalmente por falta de informação, estigma e diagnóstico tardio.

 

Segundo a SBU, o câncer de pênis é considerado raro em países desenvolvidos, mas ainda tem incidência significativa no Brasil, com maior concentração de casos nas regiões Norte e Nordeste.

 

Prevenção e HPV

 

A infecção pelo HPV é apontada como uma das principais causas da doença. Por isso, a vacinação contra o vírus é uma das medidas mais eficazes de prevenção. O imunizante está disponível pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) para meninos e meninas de 9 a 14 anos e para pessoas imunossuprimidas até os 45 anos. Até junho, jovens de 15 a 19 anos que não se vacinaram na idade indicada também podem procurar os postos de saúde.

 

Outras medidas importantes incluem o uso de preservativo, higiene íntima adequada e a postectomia (circuncisão), quando indicada por um profissional de saúde, especialmente em casos de fimose.

 

A SBU reforça a necessidade da higienização diária do pênis com água e sabão, puxando o prepúcio para remover o esmegma — secreção esbranquiçada que se acumula na região — inclusive após relações sexuais.

 

Diagnóstico precoce aumenta chances de cura

 

Quando identificado ainda em estágio inicial, o câncer de pênis apresenta altas chances de cura. Nesses casos, os tratamentos costumam ser menos agressivos e preservam as funções urinária e sexual. O maior problema, segundo especialistas, é que muitos pacientes demoram meses ou até anos para procurar atendimento, quando a amputação acaba sendo a única alternativa.

 

A falta de informação, o preconceito e o tabu em torno do tema ainda são obstáculos importantes para o diagnóstico precoce.

 

Principais sintomas

 

A doença é mais comum em homens com 50 anos ou mais. Entre os sinais de alerta estão:

 

  • Ferida no pênis que não cicatriza;
  • Sangramento sob o prepúcio;
  • Secreção com odor forte;
  • Alterações na cor, espessura ou textura da pele da glande;
  • Nódulos (ínguas) na região da virilha.

 

Ao notar qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar um médico urologista o quanto antes.

 

Fatores de risco

 

De acordo com a SBU, aumentam o risco de desenvolver câncer de pênis:

  • Baixas condições socioeconômicas;
  • Higiene íntima inadequada;
  • Fimose;
  • Infecção pelo HPV;

 

A entidade reforça que nenhuma lesão no pênis deve ser ignorada ou tratada com remédios caseiros. Quanto mais cedo o atendimento médico é buscado, maiores são as chances de cura e de preservação do órgão.

 

 

 

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