O Congresso do Paraguai aprovou por unanimidade uma declaração de repúdio às recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai (ou Guerra da Tríplice Aliança). No documento, divulgado nesta quarta-feira (30), parlamentares afirmam que o presidente brasileiro "distorce" a história do conflito.
Segundo o texto, as falas de Lula minimizam a dimensão histórica da guerra, ignoram os antecedentes do confronto e desconsideram o sofrimento enfrentado pelo povo paraguaio, além das consequências geográficas, econômicas, institucionais e territoriais deixadas pelo conflito.
Além da manifestação de repúdio, os congressistas paraguaios também solicitaram a devolução do canhão El Cristiano, levado pelo Brasil como troféu de guerra após o fim do conflito.
A reação ocorreu após um discurso de Lula na última sexta-feira (24), durante um evento em São Paulo sobre investimentos em Defesa. Na ocasião, o presidente afirmou que "um dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil", ao lembrar o início da guerra.
"Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, um dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos", declarou Lula.
A Guerra do Paraguai ocorreu entre 1864 e 1870. O conflito começou após tropas paraguaias invadirem a então província de Mato Grosso, em dezembro de 1864, e posteriormente territórios da Argentina. O presidente paraguaio da época, Solano López, justificou a ofensiva como resposta à intervenção militar brasileira no Uruguai, que resultou na queda do governo aliado ao Paraguai.
Com a escalada do conflito, Brasil, Argentina e Uruguai formaram a Tríplice Aliança contra o Paraguai. Ao final da guerra, o país paraguaio sofreu severas perdas humanas, territoriais e econômicas, sendo considerado o maior prejudicado pelo confronto histórico.
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