Divulgação
Casos recentes de deepnudes criados sem consentimento por ferramentas de inteligência artificial voltaram a chamar atenção para uma prática que atualiza formas antigas de violência sexual no ambiente digital. As imagens falsas, produzidas a partir de rostos e corpos reais, têm circulado com rapidez em redes sociais e aplicativos de mensagens.
Embora os episódios mais recentes envolvam majoritariamente mulheres, adolescentes e crianças, especialistas alertam que qualquer pessoa pode ser vítima desse tipo de violação. Em muitos casos, o impacto ocorre antes mesmo da identificação do conteúdo, já que as imagens podem se espalhar rapidamente, sem que a vítima tenha controle ou sequer conhecimento inicial.
Além das implicações legais, os danos emocionais costumam ser profundos. A advogada especialista em direitos digitais Horrara Moreira explica que, na maioria das situações, a principal preocupação da vítima não é o desfecho jurídico, mas a remoção imediata do material para conseguir retomar a própria rotina e a sensação de segurança.
O medo de julgamentos, de consequências profissionais e de exposição social costuma gerar bloqueios emocionais intensos, o que dificulta a tomada de decisões. Por isso, especialistas defendem que o enfrentamento desse tipo de violência deve unir suporte jurídico e acompanhamento psicológico desde o início.
Na avaliação de João Apuã, líder de projetos e tecnologia da Pajubá Tech, o primeiro passo após a descoberta da violação é o acolhimento. Ele destaca que garantir apoio emocional e contar com alguém de confiança é fundamental antes de avançar para medidas técnicas e legais. Em seguida, entram ações como a preservação de provas, pedidos de remoção e o acionamento de redes de apoio especializadas.
Registrar a ocorrência é apontado como um passo essencial. Além de possibilitar a responsabilização dos envolvidos, as denúncias ajudam a dimensionar o problema e a produzir dados que subsidiam políticas públicas voltadas ao combate da violência sexual mediada por tecnologia.
Diante desse cenário, práticas de segurança digital e autocuidado online deixaram de ser opcionais e passaram a ocupar papel central na proteção no ambiente virtual. Elas não se limitam aos casos de deepnudes, mas se estendem a outras formas de crimes e abusos digitais cada vez mais frequentes.
Jornal online com a missão de produzir jornalismo sério, com credibilidade e informação atualizada.
14/03/2026
INSS amplia até junho prazo para contestar descontos indevidos em benefícios
Aposentados e pensionistas têm mais 90 dias para pedir ressarcimento sem precisar recorrer à Justiça