O preço do diesel no Brasil iniciou a semana com uma diferença significativa em relação ao mercado internacional. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), em parceria com a StoneX, o combustível está cerca de 74% mais barato nas refinarias brasileiras — o equivalente a uma defasagem de R$ 2,68 por litro.
Na prática, isso significa que o diesel vendido no país está quase R$ 3 abaixo do valor praticado no exterior. A diferença, em um primeiro momento, beneficia o consumidor, já que o custo mais baixo nas refinarias tende a reduzir o preço final nas bombas.
No entanto, especialistas alertam que essa defasagem elevada pode trazer consequências negativas. Isso porque os valores praticados internamente tornam a importação do combustível menos atrativa, o que impacta diretamente o abastecimento nacional — já que o Brasil depende, em parte, de diesel vindo de fora.
De acordo com o presidente-executivo da Abicom, o cenário atual aumenta o risco de interrupção nas importações. Com margens reduzidas, empresas deixam de realizar negócios, o que pode comprometer o suprimento do produto no país.
Apesar disso, as compras realizadas até o momento garantem o abastecimento durante o mês de março. Já para abril, ainda não há uma previsão significativa de importações, o que mantém o mercado em alerta.
A situação se torna ainda mais delicada diante das incertezas no cenário internacional. O prolongamento de conflitos no Oriente Médio — principal região produtora de petróleo — tem pressionado os preços globais. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, é um ponto estratégico e sensível nesse contexto.
Segundo a Abicom, o aumento dos preços internacionais, somado à política de preços adotada no Brasil, tem dificultado ainda mais a viabilidade das importações.
Atualmente, a Petrobras não segue mais a política de paridade internacional, adotando uma estratégia que busca evitar repasses imediatos das oscilações externas ao consumidor. A medida, porém, vem sendo criticada por agentes do setor, que apontam perda de competitividade.
No curto prazo, a estatal não prevê novos reajustes no preço do diesel. Enquanto isso, a Abicom afirma que seguirá acompanhando o mercado e os impactos dessa defasagem no abastecimento nacional.
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