O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante uma audiência pública realizada nos Estados Unidos para discutir a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em declaração nesta quarta-feira (9), o parlamentar afirmou que Lula "lambe as botas da China" e acusou o presidente de priorizar interesses ideológicos nas relações internacionais.
Flávio participou, na terça-feira (8), de uma audiência promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por analisar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Durante uma transmissão pela internet, o senador disse que viajou ao país para tentar evitar a medida.
"Vim proteger o Brasil das tarifas e também do Lula. Ele faz uma coisa que eu jamais faria, que é colocar a ideologia acima dos interesses do povo. Ele lambe as botas da China e taca pedra nos Estados Unidos", declarou.
O parlamentar afirmou ainda ter recebido informações de bastidores indicando que a tarifa de 25% deve ser confirmada pelos Estados Unidos. A decisão do governo norte-americano é aguardada até o próximo dia 15 de julho.
Na audiência, Flávio Bolsonaro esteve acompanhado do irmão, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos Estados Unidos. Em seu discurso, o senador também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e os governos do PT, mas defendeu o adiamento da aplicação das tarifas.
A participação do parlamentar ocorreu de forma independente, após inscrição nas audiências públicas promovidas pelo USTR, abertas ao público. O governo brasileiro optou por não discursar no evento e enviou apenas representantes da embaixada para acompanhar as discussões como observadores.
Segundo o Itamaraty, as negociações sobre o tema seguem por meio de canais técnicos e diplomáticos, considerados mais adequados para tratar da questão. A expectativa do governo é ampliar a lista de produtos brasileiros que poderão ficar de fora das novas tarifas.
Em sua manifestação ao USTR, Flávio Bolsonaro defendeu um acordo de tarifa zero para etanol e açúcar entre Brasil e Estados Unidos, argumentando haver uma assimetria tarifária entre os dois países. O tema, porém, foi descartado pelo governo brasileiro. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio avalia que reduzir tarifas sobre o etanol norte-americano poderia prejudicar a indústria sucroalcooleira, especialmente na região Nordeste.
Na semana passada, o governo brasileiro apresentou resposta formal às conclusões da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos. No documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil contesta as acusações de que políticas nacionais representem práticas discriminatórias ou criem barreiras ao comércio com os norte-americanos. Entre os pontos questionados pelos EUA estão o funcionamento do Pix, o combate ao desmatamento ilegal, a proteção da propriedade intelectual e a aplicação da legislação anticorrupção.
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