O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) mudou o discurso sobre a divulgação de informações relacionadas ao filme “Dark Horse”, projeto ligado à trajetória de Jair Bolsonaro. Nesta segunda-feira (24), o candidato afirmou que não cabe a ele prestar contas sobre o caso, apesar de ter prometido anteriormente apresentar documentos ligados ao projeto.
A declaração ocorreu após uma reunião com a diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo. Questionado sobre o compromisso de dar transparência ao contrato e aos recursos envolvidos no filme, Flávio afirmou que as informações já teriam sido apresentadas no âmbito da investigação.
“Da minha parte, eu digo o seguinte: quem tem que prestar conta não sou eu, é o Lula que tem que prestar conta”, declarou.
O projeto passou a ser alvo de questionamentos sobre seu financiamento, incluindo informações sobre um suposto repasse de R$ 61 milhões por Daniel Vorcaro para a produção do filme. Flávio, no entanto, sustenta que se trata de uma relação privada e sem contrapartida de recursos públicos.
A posição adotada nesta segunda contrasta com uma declaração dada pelo próprio candidato em julho. Em entrevista à CNN, Flávio afirmou estar “100% disposto” a apresentar o contrato relacionado ao projeto e se comprometeu publicamente a dar transparência às informações.
Ao ser questionado se havia mudado de posição, o senador voltou a direcionar as cobranças ao atual governo.
“Vocês querem insistir com uma relação privada, de um fundo privado, que não tem contrapartida pública de nada. Não adianta, vocês não vão me colocar na mesma página desse cara [Lula]. Não vão me colocar. Hoje o governo Lula é que deve explicações”, respondeu.
Na quinta-feira (20), durante agenda em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, Flávio já havia sido questionado sobre o assunto. Na ocasião, declarou que as contas haviam sido apresentadas e classificou o episódio como “página virada”.
Com isso, embora tenha prometido anteriormente tornar públicos documentos ligados ao projeto, Flávio passou a sustentar que não é responsável pela prestação de contas e que a operação envolve recursos privados.
Além dos questionamentos sobre o filme, a passagem pela Fiesp fez parte da agenda de aproximação de Flávio Bolsonaro com representantes do setor industrial.
Durante o encontro, o candidato apresentou propostas de seu programa econômico, criticou a política fiscal do governo Lula e defendeu redução da carga tributária, maior segurança jurídica e estímulos à retomada dos investimentos privados.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, não anunciou apoio formal à candidatura, mas afirmou que Flávio Bolsonaro está “alinhado” com pautas defendidas pela entidade.
Jornal online com a missão de produzir jornalismo sério, com credibilidade e informação atualizada.
25/08/2026
Lula aparece com 10 dedos e Justiça Eleitoral cobra explicações
Prefeito de Fortaleza, senador e ex-secretário terão de esclarecer se inteligência artificial foi usada na produção de vídeo eleitoral.