© Marcello Casal JrAgência Brasil
As fundações privadas e associações sem fins lucrativos pagaram, em 2023, salários médios superiores aos praticados por empresas do setor privado, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com os dados, os trabalhadores dessas instituições receberam, em média, R$ 3.630,71 no ano passado, valor equivalente a 2,8 salários mínimos. No mesmo período, o setor empresarial pagou, em média, 2,5 salários mínimos. O salário mínimo médio considerado na pesquisa foi de R$ 1.314,46.
Apesar do desempenho superior em relação às empresas, tanto as fundações e associações quanto o setor empresarial ficaram abaixo da administração pública, que apresentou remuneração média de quatro salários mínimos.
O levantamento faz parte do estudo que traça um panorama das Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (Fasfil) no país. As informações foram coletadas a partir do Cadastro Central de Empresas (Cempre) do IBGE. O instituto esclarece que, devido a mudanças metodológicas, os dados de 2023 só podem ser comparados aos de 2022.
São classificadas como Fasfil associações comunitárias, fundações privadas, entidades religiosas e instituições educacionais e de saúde sem fins lucrativos. Organizações como sindicatos, partidos políticos, condomínios e entidades paraestatais, como o Sistema S, não integram esse grupo.
Entre 2022 e 2023, o número de fundações privadas e associações sem fins lucrativos cresceu 4%, passando de 573,3 mil para 596,3 mil organizações. Esse total representa cerca de 5% do conjunto de organizações existentes no país, que inclui empresas e órgãos públicos.
Essas instituições empregaram 2,7 milhões de pessoas em 2023, o equivalente a 5,1% dos trabalhadores do país, e responderam por 5% da massa salarial nacional.
O setor religioso concentra a maior quantidade de entidades, representando 35,3% do total. Em relação ao emprego, a área da saúde é a principal empregadora, reunindo 41,2% dos trabalhadores, o que corresponde a cerca de 1,1 milhão de pessoas. Educação e pesquisa aparecem na sequência, com 27,7%, seguidas pela assistência social, com 12,7%.
A participação feminina é expressiva nesse segmento. Enquanto as mulheres representam 45,5% do total de trabalhadores no país, nas Fasfil elas correspondem a 68,9% dos assalariados. Na educação infantil, essa proporção chega a 91,7%. Ainda assim, o IBGE aponta que as mulheres recebem, em média, 19% menos que os homens nessas instituições.
Para o coordenador de Cadastros e Classificações do IBGE, Francisco Marta, os dados reforçam a relevância econômica e social do setor, que atua de forma complementar às políticas públicas nas áreas de saúde, educação, assistência social, defesa de direitos e meio ambiente.
Em relação ao porte, as fundações privadas e associações sem fins lucrativos tinham, em média, 4,5 empregados. A maioria, 85,6%, não possuía funcionários formais, enquanto apenas 0,7% contava com 100 ou mais empregados. Os maiores quadros de pessoal foram registrados em hospitais, instituições de saúde e ensino superior.
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