Governo Lula eleva imposto de importação de 1,2 mil produtos e setor de tecnologia reage

POR Marcos Paulo | 24/02/2026
Governo Lula eleva imposto de importação de 1,2 mil produtos e setor de tecnologia reage
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O governo federal decidiu aumentar o imposto de importação de mais de 1.200 produtos, com foco em máquinas, equipamentos industriais e itens de tecnologia. A medida é interpretada internamente como uma resposta ao avanço das importações e à perda de competitividade da indústria nacional.

 

As mudanças foram oficializadas por meio da Resolução Gecex nº 852, de 4 de fevereiro de 2026. Ao todo, 1.252 códigos de produtos tiveram as alíquotas alteradas, com vigência a partir de fevereiro e março.

 

Entre os itens afetados estão servidores de processamento de dados, switches, roteadores e outros equipamentos de tecnologia da informação. A reação mais forte partiu de entidades do setor, que dependem diretamente de componentes e maquinários importados.

 

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas de Software alertou que o impacto vai além da área tecnológica. “Esta medida não afeta apenas o setor de tecnologia, mas toda a economia nacional, uma vez que a tecnologia da informação constitui hoje a infraestrutura transversal que sustenta e viabiliza todos os demais setores econômicos”, afirmou a entidade.

 

Indústria nacional no foco

 

A decisão ocorre em meio à avaliação do governo de que o aumento das importações passou a representar risco estrutural à indústria brasileira. Em 2025, as compras externas de bens de capital e tecnologia somaram cerca de US$ 75 bilhões, com crescimento expressivo nos últimos anos.

 

Segundo a equipe econômica, o país enfrenta um avanço da dependência de produtos importados, principalmente em segmentos intensivos em tecnologia. Nota técnica do Ministério da Fazenda classificou o cenário como ameaça à estrutura produtiva nacional e defendeu a recomposição tarifária.

 

De acordo com o documento, os importados já representam aproximadamente 45% do consumo de máquinas e equipamentos no Brasil e mais de 50% dos bens de informática e telecomunicações — patamares considerados elevados para o porte da economia brasileira.

 

A expectativa do governo é que o reajuste ajude a “reequilibrar preços relativos” entre produtos nacionais e estrangeiros e estimule novos investimentos na indústria doméstica.

 

Como ficam as tarifas

 

Antes da mudança, muitos produtos entravam no país com imposto reduzido ou zerado, principalmente por meio de regimes especiais e reduções temporárias. Em alguns casos, as alíquotas eram de 0% ou inferiores a 7%.

 

Com a nova resolução, as tarifas passam a se concentrar principalmente nos níveis de 7%, 12,6% e 20%, substituindo a estrutura anterior marcada por isenções e percentuais baixos.

 

O impacto tende a ser mais significativo em setores que demandam alto volume de investimentos, como mineração, petróleo e gás, energia, infraestrutura e agronegócio — áreas que dependem fortemente de equipamentos importados.

 

Apesar disso, o governo avalia que os efeitos sobre a inflação devem ser limitados, já que a maioria dos itens atingidos é composta por bens de produção, e não produtos de consumo final.

 

Política industrial e exceções

 

A medida integra uma estratégia mais ampla de política industrial, alinhada aos objetivos da Nova Indústria Brasil, que busca fortalecer a produção nacional de máquinas e tecnologia.

 

Técnicos do governo também argumentam que a iniciativa segue uma tendência internacional. Segundo a Fazenda, diversos países têm adotado instrumentos tarifários e medidas de proteção setorial para enfrentar choques externos e práticas de dumping.

 

Mesmo com o aumento das alíquotas, permanecem exceções para produtos sem fabricação nacional. Mecanismos como o ex-tarifário e regimes especiais de importação continuam permitindo a redução ou isenção do imposto para equipamentos considerados essenciais a projetos produtivos.

 

Também seguem válidos regimes específicos para setores intensivos em investimento, como Repetro, Recof e drawback, que reduzem a carga tributária sobre máquinas importadas.

 

Na prática, essas exceções funcionam como um mecanismo de equilíbrio: ampliam a proteção à indústria nacional sem comprometer investimentos que dependem de tecnologia estrangeira.

 

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