Inquérito aponta atuação fria de técnicos de enfermagem em mortes na UTI de hospital do DF: "parecia ter prazer"

POR Marcos Paulo | 22/01/2026
Inquérito aponta atuação fria de técnicos de enfermagem em mortes na UTI de hospital do DF:
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O inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que apura as mortes de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, descreve uma atuação fria e premeditada por parte de técnicos de enfermagem investigados pelos crimes.

 

De acordo com a investigação, a técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, é apontada como comparsa de Marcos Vinícius Silva Barbosa, de 24. O relatório policial destaca que Marcela teria sido treinada pelo colega, auxiliando no manuseio de uma substância letal e acompanhando as mortes dos pacientes, comportamento que chamou a atenção dos investigadores.

 

A apuração indica que Marcos Vinícius tentou matar a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, em três ocasiões. Nas primeiras tentativas, a vítima sofreu paradas cardíacas após a aplicação da substância, mas foi reanimada pela equipe médica. Na quarta ação, em 17 de novembro de 2025, o técnico teria aplicado entre 10 e 13 doses de um desinfetante, causando a morte da paciente.

 

No mesmo dia, segundo a PCDF, a mesma substância foi utilizada contra o servidor da Caesb João Clemente Pereira, de 63 anos. Ele chegou a ser reanimado após a primeira parada cardíaca, mas o investigado retornou ao hospital após o fim do expediente e conseguiu provocar o óbito.

 

A última vítima seria o carteiro Marcos Moreira, de 33 anos, que morreu no dia 1º de dezembro após receber uma única dose do produto. Nesse caso, Marcela teria ajudado a retirar a substância na farmácia e acompanhado a ação dentro da UTI.

 

Além de Marcos Vinícius e Marcela Camilly, Amanda Rodrigues de Sousa também foi presa. Uma quarta técnica de enfermagem responde ao processo por homicídio doloso qualificado, mas não teve a prisão decretada até o momento.

 

Inicialmente, os investigados alegaram que apenas administravam medicamentos prescritos por médicos. No entanto, confrontados com as provas reunidas pela polícia, acabaram confessando os crimes. Segundo o delegado responsável, os envolvidos demonstraram frieza e não apresentaram motivação para os atos.

 

Operação Anúbis


As prisões ocorreram no contexto da Operação Anúbis, deflagrada em duas fases. A primeira aconteceu em 11 de janeiro, com prisões temporárias e cumprimento de mandados de busca e apreensão em cidades do Distrito Federal e Entorno. Na segunda fase, em 15 de janeiro, a Polícia Civil realizou nova prisão temporária e apreendeu dispositivos eletrônicos para aprofundar a investigação.

 

A PCDF informou que segue apurando a dinâmica dos crimes, o papel de cada investigado e a possível participação de outras pessoas. Ao final, os suspeitos devem ser indiciados por homicídio doloso qualificado, com impossibilidade de defesa das vítimas, crime cuja pena pode variar de 9 a 30 anos de prisão.

 

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