A relação da juventude brasileira com a política passa por uma transformação profunda. Cada vez mais distante das estruturas partidárias tradicionais, os jovens têm encontrado no ambiente digital o principal espaço de engajamento e militância. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) escancaram esse contraste: em dez anos, a filiação partidária entre jovens de 16 a 24 anos caiu 56%, saindo de mais de 415 mil para cerca de 180 mil filiados. No sentido oposto, o número de adolescentes que tiraram o título de eleitor aos 16 anos saltou de 480.044, em 2014, para 724.324, em 2024.
Especialistas ouvidos pelo jornal O Tempo avaliam que a militância, antes concentrada em diretórios partidários, sindicatos e movimentos estudantis, migrou de forma intensa para as redes sociais. Nesse novo cenário, o debate político se mistura com temas do cotidiano, cultura e entretenimento, muitas vezes impulsionado por influenciadores digitais e sem a rigidez hierárquica das legendas.
Para o pesquisador da UFMG, Camilo Aggio, o movimento revela uma crescente descrença nas instituições tradicionais e provoca mudanças na própria dinâmica da discussão pública. Segundo ele, o jovem segue interessado em política, mas rejeita os formatos convencionais de participação.
A atuação digital, porém, também traz desafios. As redes sociais tendem a estimular a polarização e a chamada “tribalização”, onde opiniões divergentes encontram menos espaço para diálogo. O levantamento aponta que apenas 1% dos eleitores dessa faixa etária está formalmente filiado a um partido, o que reforça a crise de representatividade.
Mesmo diante desse cenário, grandes siglas como PT e PL têm apostado em campanhas de filiação para tentar atrair jovens. Ainda assim, o engajamento partidário segue concentrado entre adultos de 25 a 59 anos. Para as lideranças políticas, o desafio está lançado: encontrar novas linguagens e estratégias capazes de reconectar a política institucional a uma geração cada vez mais conectada e digital.
Jornal online com a missão de produzir jornalismo sério, com credibilidade e informação atualizada.
19/01/2026
Canetas emagrecedoras podem atrasar efeito de anticoncepcionais e outros remédios
Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro reduzem o esvaziamento gástrico e podem retardar a ação de comprimidos ingeridos por via oral.