O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quinta-feira (2), o documento enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos, no qual o parlamentar pede o adiamento da aplicação do tarifaço sobre produtos brasileiros para depois das eleições presidenciais e propõe mudanças na relação comercial entre os dois países.
A manifestação foi publicada nas redes sociais do presidente. Lula classificou como "inaceitável" a postura da família Bolsonaro e afirmou que o documento representa uma tentativa de submeter o Brasil aos interesses norte-americanos.
"É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos", escreveu o presidente.
Na publicação, Lula também afirmou que o Brasil continuará mantendo relações internacionais com base no diálogo entre países soberanos. Segundo ele, o pedido para adiar a sobretaxa sobre produtos brasileiros representa uma atitude contrária aos interesses nacionais.
"O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro, que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros", declarou.
O presidente também criticou a proposta de flexibilização da participação do Brasil no Mercosul, afirmando que o bloco é o principal acordo econômico da América Latina e destacou o recente acordo comercial firmado com a União Europeia. Lula ainda acusou a família Bolsonaro de querer entregar o sistema Pix a interesses estrangeiros e encerrou a publicação afirmando que "a soberania é inegociável" e que "o Brasil é dos brasileiros".
Mais cedo, Flávio Bolsonaro havia defendido a suspensão da aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, ao menos até o fim das eleições de 2026. Segundo o senador, a medida evitaria que o governo Lula obtivesse uma "vitória política" com o tema.
No documento encaminhado ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Flávio também propõe vantagens comerciais aos norte-americanos, entre elas a eliminação de tarifas sobre o etanol e a redução da carga tributária incidente sobre empresas de cartão de crédito.
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