O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta terça-feira (27), a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil com destino aos Estados Unidos. Reeleito no último domingo (25), Lula classificou a atitude do adversário nas eleições presidenciais como um “ato vergonhoso” e afirmou que o parlamentar teria pendências com a Justiça.
“O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, declarou o presidente.
Lula também questionou o fato de Flávio Bolsonaro ter deixado o território brasileiro sem entregar o passaporte, conforme determinação judicial.
“Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso. Ele deveria ter entregue o passaporte. A Polícia Federal já devia suspeitar que ele sairia do Brasil, ele tem inquérito”, afirmou.
As declarações foram feitas durante uma comemoração pelo aniversário de 81 anos do presidente, realizada em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Lula recebeu apoiadores, cortou um bolo e discursou para os presentes.
Durante a fala, o presidente comparou a situação de Flávio Bolsonaro com sua própria prisão, ocorrida em abril de 2018. Lula lembrou que, naquela ocasião, decidiu se apresentar voluntariamente à Polícia Federal para cumprir a ordem judicial.
“Resolvi me entregar na Polícia Federal porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência”, declarou.
Lula permaneceu preso por 580 dias, até ser libertado em 8 de novembro de 2019. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou suas condenações relacionadas à Operação Lava Jato, após decisões que reconheceram a incompetência da Justiça Federal de Curitiba e a parcialidade do então juiz Sergio Moro em um dos processos.
Ao encerrar o discurso, Lula agradeceu aos eleitores pela vitória no segundo turno e voltou a fazer referência à situação do adversário.
“E estou aqui sendo reeleito para mais um mandato por conta de vocês. Por isso eu digo a vocês, quem não deve, não teme”, afirmou.
Sergio Moro, responsável por condenar Lula em um dos processos da Lava Jato, foi eleito governador do Paraná em 2026 pelo Partido Liberal (PL), mesma legenda de Flávio Bolsonaro.
A saída do senador do Brasil ocorreu após a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para a apreensão de seus passaportes, no âmbito de uma investigação envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro.
A declaração de Lula representa uma crítica política ao adversário e não significa que as suspeitas investigadas contra Flávio Bolsonaro tenham sido comprovadas judicialmente.
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