O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (6), que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender a realização de uma reunião entre os principais líderes mundiais com o objetivo de buscar uma saída negociada para os conflitos internacionais.
A declaração foi dada durante entrevista ao canal Os Três Elementos, um dia após o governo norte-americano revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Na entrevista, Lula classificou a decisão como "irresponsável" e "impensada".
Ao falar sobre a necessidade de ampliar o diálogo entre as grandes potências, o presidente afirmou que já entrou em contato com o presidente da China, Xi Jinping, e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e que também pretende conversar com Trump.
"Na semana passada, liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem falei com meu amigo Putin para eles se reunirem e vou falar com o Trump também", disse Lula.
O presidente defendeu que os integrantes permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) retomem as negociações para buscar alternativas diplomáticas aos conflitos em andamento.
"São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um vinho, um uísque, qualquer coisa. Você não tem, a nível internacional, uma esfera para discutir isso e chamar a negociação. Eu falei para o Putin e para o Xi Jinping e vou falar para o Trump: se reúnam, pelo amor de Deus", afirmou.
A declaração ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática entre Brasília e Washington.
Na segunda-feira (3), os Estados Unidos anunciaram a revogação do visto diplomático de Maria Luiza Viotti, primeira mulher a chefiar a Embaixada do Brasil em Washington.
Segundo o Departamento de Estado, a medida poderá ser revista caso o governo brasileiro conceda o agrément — autorização diplomática necessária para atuação de um embaixador — ao indicado de Trump para a embaixada norte-americana em Brasília, Daniel Perez.
O governo brasileiro rejeita essa interpretação. Lula afirmou que os Estados Unidos tentam pressionar o Brasil a acelerar um procedimento que, segundo as normas diplomáticas, não possui prazo determinado. O presidente também destacou que o próprio governo norte-americano permanece há mais de um ano sem um embaixador efetivo no Brasil e classificou a decisão como desproporcional.
Durante a entrevista, Lula também revelou que pediu a Trump autorização para que 11 autoridades brasileiras, atualmente impedidas de entrar nos Estados Unidos, pudessem viajar ao país, mas afirmou que o pedido não foi atendido.
O presidente disse ainda que o Itamaraty agiu corretamente ao impedir a entrada no Brasil de integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo reportagem do Washington Post, esses funcionários seriam enviados ao país para levantar questionamentos sobre a integridade do processo eleitoral brasileiro.
Desde o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, a relação entre os dois governos alternou momentos de aproximação e de tensão.
Após meses de atritos envolvendo tarifas comerciais e críticas ao Brasil, Lula e Trump tiveram o primeiro encontro presencial em setembro de 2025, durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, quando afirmaram estar dispostos a retomar o diálogo.
A aproximação se intensificou em maio deste ano, quando Lula foi recebido na Casa Branca. Na ocasião, os dois presidentes discutiram temas como comércio, segurança, minerais estratégicos e cooperação bilateral, além de anunciarem a criação de um canal permanente de negociação entre os dois governos. Apesar disso, as relações voltaram a se deteriorar nas semanas seguintes, sem avanços concretos nas negociações diplomáticas e comerciais.
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