O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um debate marcado por acusações, críticas e momentos de tensão na noite deste domingo (18), na TV Bandeirantes. O primeiro confronto direto entre os candidatos à Presidência ocorreu a uma semana do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Durante o encontro, os adversários discutiram temas como corrupção, segurança pública, saúde, economia e política externa. Além dos embates entre os presidenciáveis, uma confusão envolvendo integrantes das duas comitivas interrompeu as considerações finais.
Acusações envolvendo familiares e corrupção
Logo no início do debate, Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre acusações feitas pela empresária Roberta Luchsinger e mencionou uma suposta ligação entre ela e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.
Lula respondeu que o caso deveria ser tratado pela Polícia Federal e contra-atacou ao mencionar Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, acusando-o de atuar contra os interesses brasileiros nos Estados Unidos.
Outro momento de tensão ocorreu quando os candidatos trocaram questionamentos sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Lula cobrou explicações sobre um pedido de R$ 134 milhões atribuído a Flávio, enquanto o senador mencionou supostos repasses de R$ 30 milhões ao Instituto Lula. As alegações foram apresentadas pelos candidatos durante o debate.
Em outro confronto, Lula desafiou Flávio e seus familiares a abrirem os sigilos bancários e telefônicos. O senador afirmou não ter nada a esconder e voltou a acusar o presidente de ocultar recursos financeiros.
Segurança pública divide os candidatos
Na área de segurança, Flávio Bolsonaro reafirmou a proposta de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias como organizações narcoterroristas.
O senador prometeu intensificar o combate ao crime organizado e recuperar territórios dominados por facções.
Lula, por sua vez, defendeu uma maior participação do governo federal na segurança pública e criticou a atuação dos estados no enfrentamento à criminalidade. O presidente também destacou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
Os candidatos divergiram ainda sobre o indulto natalino. Flávio criticou o benefício, enquanto Lula defendeu sua aplicação a determinados condenados, excluindo autores de crimes hediondos ou muito violentos.
Saúde e economia também geram confronto
Na saúde, Lula criticou a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro e defendeu a ampliação do programa Mais Médicos.
Flávio reconheceu problemas na área da saúde durante a gestão do pai, mas afirmou que pretende oferecer ao Sistema Único de Saúde (SUS) um padrão de atendimento semelhante ao do Hospital Israelita Albert Einstein, com tecnologia, consultas agendadas e redução das filas.
Lula questionou se a proposta representaria uma intenção de privatizar o SUS, hipótese rejeitada pelo adversário.
Na economia, o presidente defendeu investimentos em inovação, indústria, tecnologia e formação profissional. Já Flávio apresentou propostas de incentivo ao empreendedorismo, ampliação da conectividade e qualificação de trabalhadores.
Política externa provoca novos ataques
As relações internacionais também foram motivo de confronto. Lula questionou a proximidade de Flávio com o presidente argentino Javier Milei e criticou a atuação da família Bolsonaro em relação aos Estados Unidos.
Flávio respondeu mencionando as relações políticas de Lula com Daniel Ortega, da Nicarágua, e Nicolás Maduro, da Venezuela.
Os dois também divergiram sobre as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Lula acusou aliados de Bolsonaro de prejudicarem os interesses nacionais, enquanto Flávio negou ter solicitado a aplicação das medidas.
Confusão interrompe considerações finais
O encerramento do debate foi marcado por discussões entre integrantes das comitivas e manifestações da plateia.
Durante a fala final de Lula, uma confusão começou após Flávio passar atrás do presidente. O candidato petista precisou interromper seu discurso antes de retomar as considerações.
Flávio também teve a fala interrompida por gritos da plateia e reclamou do barulho antes de concluir sua participação.
Ao encerrar, Lula defendeu os resultados de seu governo e a continuidade de sua gestão. Flávio criticou os mandatos do adversário, reforçou suas propostas para a segurança pública e prometeu não assumir compromissos que não possa cumprir.
O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para o próximo domingo, 25 de outubro, quando os brasileiros escolherão o presidente da República para os próximos quatro anos.
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