Arte: Gabriel Lucas/Metrópoles
Um médico de 27 anos denunciou ter sido internado contra a própria vontade em uma clínica de reabilitação em Teresina (PI), onde permaneceu por cerca de 40 dias sem acesso a telefone, advogado ou qualquer tipo de contato externo.
Segundo relato do profissional e de sua defesa, a internação teria ocorrido poucos dias após ele revelar sua orientação sexual aos pais, que não teriam aceitado a situação.
De acordo com a advogada responsável pelo caso, o médico foi retirado à força de dentro da residência da família. Ele afirma que dormia no local quando foi chamado pela mãe para ajudar o irmão. Ao abrir a porta do quarto, foi surpreendido por quatro homens, que o imobilizaram.
Ainda conforme a defesa, houve resistência por parte do médico, que chegou a lutar por cerca de duas horas. Durante a ação, ele teria pedido um advogado, negado uso de drogas e solicitado a realização de exames. Na sequência, o profissional foi colocado em uma ambulância do Samu e levado diretamente para a clínica.
Durante o período internado, o médico relata que teve o celular e documentos retidos e ficou dias sem avaliação adequada. Apenas três dias após a entrada, um laudo psiquiátrico o classificou como dependente de cocaína.
A defesa contesta o diagnóstico, afirmando que não houve exame toxicológico para comprovar a suposta dependência. O médico também teria solicitado novas avaliações e exames, sem sucesso.
Ele afirma ainda que foi medicado diariamente sem consentimento e sem saber quais substâncias estava ingerindo. Segundo o relato, a situação impactou diretamente seu estado emocional.
Para a defesa, a principal motivação da internação foi a revelação da orientação sexual do médico à família. Os pais, descritos como conservadores, teriam decidido pela internação dias após a conversa, alegando, no momento, que o filho enfrentava problemas com drogas.
Após conseguir acesso a um celular dentro da clínica, o médico entrou em contato com amigos, que indicaram a advogada.
Ela tentou inicialmente resolver o caso na Justiça por meio de um habeas corpus, mas o pedido não foi analisado sob a justificativa de que a internação já havia ocorrido há mais de 24 horas.
Posteriormente, um delegado apontou a possibilidade de cárcere privado ou sequestro e orientou que a advogada fosse até a clínica acompanhada da Polícia Militar.
No local, segundo a defesa, houve resistência para acesso ao paciente e aos documentos que autorizaram a internação. Após um impasse, todos os envolvidos foram levados para a Central de Flagrantes de Teresina.
Na delegacia, o caso foi analisado e, inicialmente, considerado dentro das possibilidades legais de internação involuntária, que pode ocorrer mediante autorização familiar e laudo médico.
A advogada, no entanto, contestou essa interpretação, alegando que a legislação exige critérios mais rigorosos, como histórico comprovado de dependência, esgotamento de alternativas terapêuticas e garantia dos direitos do paciente.
Antes de prestar depoimento formal, o médico deixou a delegacia sem qualquer impedimento.
Após a repercussão do caso, a família solicitou o encerramento da internação e devolveu os pertences do filho.
O Ministério Público do Piauí e o Conselho Regional de Medicina foram procurados para verificar a legalidade da atuação da clínica, mas não houve retorno até a última atualização.
A Polícia Civil e a clínica envolvida também não se manifestaram. O espaço segue aberto.
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