© Paulo Pinto/Agência Brasil
O número de trabalhadores sindicalizados no Brasil voltou a crescer em 2024, após mais de uma década de queda contínua. Segundo a Pnad Contínua do IBGE, o país registrou 9,1 milhões de sindicalizados, representando 8,9% dos 101,3 milhões de trabalhadores ocupados.
O aumento de 812 mil pessoas em relação a 2023 (8,4% do total) mostra uma recuperação na percepção sobre o papel dos sindicatos, mas ainda está distante do patamar de 2012, quando 16,1% da força de trabalho estava associada.
O analista William Kratochwill observa que a queda mais acentuada a partir de 2017 está relacionada à reforma trabalhista, que extinguiu a contribuição sindical obrigatória. A retomada em 2024, segundo ele, reflete um movimento de trabalhadores que reconhecem a importância de se organizar e lutar pelos direitos.
A maioria dos novos sindicalizados tem mais de 30 anos, com destaque para a faixa de 40 a 49 anos, que representa 32% das filiações. Já os jovens de 14 a 19 anos correspondem a apenas 0,7% do saldo positivo. A faixa de 20 a 29 anos soma 5,1%.
O IBGE identificou os setores com maior número de sindicalizados:
Administração pública, defesa, educação e saúde: 15,5%
Agricultura, pecuária e pesca: 14,8%
Indústria geral: 11,4%
Informação, comunicação e atividades financeiras e administrativas: 9,6%
Transporte, armazenagem e correio: 8,3%
Comércio e reparação de veículos: 5,6%
Alojamento e alimentação: 4,2%
Construção: 3,6%
Outros serviços: 3,4%
Serviços domésticos: 2,6%
O setor público concentra maior participação, com empregados mais propensos à sindicalização.
Entre trabalhadores com ensino superior completo, a taxa de sindicalização é de 14,2%, acima da média nacional. Para trabalhadores com ensino médio completo, é 7,7%, e para fundamental completo, 5,7%.
No setor público, a taxa chega a 18,9%, enquanto trabalhadores com carteira assinada registram 11,2%. Entre os por conta própria, apenas 5,1% são filiados, e 3,8% entre os sem carteira assinada.
Desde 2012, a diferença entre homens e mulheres na sindicalização diminuiu. Hoje, 57,6% dos sindicalizados são homens e 42,4% mulheres, com taxas de 9,1% e 8,7%, respectivamente.
O estudo também mostra retração no número de trabalhadores por conta própria associados a cooperativas, que caiu de 1,5 milhão em 2012 (6,3%) para 1,3 milhão em 2024 (4,3%), o menor valor da série histórica.
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