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A sensação de estar vivendo algo pela segunda vez, mesmo diante de uma situação completamente nova, é conhecida como déjà vu. O fenômeno intriga cientistas há décadas e, embora seja bastante comum, ainda não possui uma explicação totalmente definitiva.
Especialistas apontam que o déjà vu acontece por um “descompasso” entre sistemas de memória do cérebro, principalmente no lobo temporal, área responsável pelo processamento e organização das lembranças.
Segundo o psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, da plataforma Doctoralia, o cérebro possui mecanismos diferentes para reconhecer algo como familiar e para recuperar memórias completas e contextualizadas.
“No déjà vu, há ativação da familiaridade sem que exista uma memória real associada”, explica o especialista.
O neurologista Diogo Haddad, do Alta Diagnósticos, em São Paulo, reforça que o fenômeno possui base neurológica conhecida. De acordo com ele, o cérebro identifica uma situação como familiar antes mesmo de conseguir localizar de onde viria aquela lembrança.
Fatores emocionais e físicos também podem aumentar a ocorrência do déjà vu. Ansiedade, estresse e privação de sono elevam a atividade cerebral e dificultam o processamento correto das informações.
Com isso, o cérebro pode criar uma falsa sensação de reconhecimento, fazendo uma experiência inédita parecer algo já vivido anteriormente.
Estruturas cerebrais como o hipocampo e o lobo temporal têm papel importante nesse processo, ajudando o cérebro a diferenciar experiências novas das antigas. Quando há falhas nessa ativação, surge a sensação de repetição.
Embora geralmente seja considerado normal, o déjà vu também pode aparecer associado a alguns transtornos psiquiátricos, especialmente quando ocorre de forma intensa ou frequente.
Entre as condições relacionadas estão quadros de ansiedade, transtornos dissociativos e, em casos mais raros, transtornos psicóticos.
Além disso, o fenômeno pode ter relação com doenças neurológicas, como a epilepsia do lobo temporal. Nesses casos, os episódios costumam ser mais fortes e podem vir acompanhados de sintomas como medo repentino, alterações de consciência e comportamentos automáticos.
Os especialistas alertam que o déjà vu pode funcionar como uma espécie de “aura neurológica”, servindo como sinal inicial de uma crise epiléptica.
Na maioria das vezes, o déjà vu é considerado comum, principalmente entre jovens e em períodos de estresse. No entanto, alguns sinais exigem atenção.
A recomendação médica é buscar avaliação quando os episódios se tornam muito frequentes, prolongados ou acompanhados de sintomas como lapsos de memória, alterações de consciência ou sensação intensa de estranheza.
Nessas situações, exames como eletroencefalograma e ressonância magnética podem ser solicitados para investigar possíveis alterações cerebrais.
O uso de álcool, drogas e até alguns medicamentos também pode influenciar os circuitos cerebrais e aumentar a ocorrência do fenômeno.
Apesar de geralmente ser apenas uma curiosidade do funcionamento da mente humana, o déjà vu pode indicar algo mais sério quando foge do padrão considerado normal.
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