Operação Duplo Fator mira quadrilha que usava moradores de rua para fraudar o Sou.Gov

POR Redação | 29/01/2026
Operação Duplo Fator mira quadrilha que usava moradores de rua para fraudar o Sou.Gov

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A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta quinta-feira (29/1), a Operação Duplo Fator, com foco no desmantelamento de uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas envolvendo a plataforma governamental Sou.Gov. O grupo utilizava pessoas em situação de vulnerabilidade social para abrir contas digitais e viabilizar empréstimos fraudulentos em nome de servidores públicos.

 

As investigações apontam que os criminosos buscavam pessoas em situação de rua para registrar contas bancárias digitais. Após a liberação inicial de crédito, os envolvidos contratavam empréstimos de forma irregular, causando prejuízos financeiros às vítimas.

 

A operação é conduzida pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) e cumpre 14 mandados judiciais, sendo seis de prisão preventiva e oito de busca e apreensão, em locais ligados à quadrilha.

 

No Distrito Federal, as ações ocorrem simultaneamente nas regiões do Areal, Ceilândia, Riacho Fundo e Samambaia. Também há cumprimento de mandados em Aragarças (GO) e Barra do Garças (MT).

 

Modo de atuação

Para dificultar o rastreamento policial, o grupo alugava imóveis por curtos períodos, evitando manter endereço fixo. Esses locais funcionavam como centros operacionais, equipados com computadores e impressoras utilizados na execução das fraudes.

 

A quadrilha empregava softwares de automação para coleta de dados e realizava uma seleção criteriosa das vítimas, priorizando servidores públicos sem dívidas e com elevado limite de crédito disponível.

 

As contas digitais eram abertas com o uso de pessoas vulneráveis, que serviam para burlar os sistemas de reconhecimento facial das instituições financeiras. Posteriormente, documentos como RGs e CNHs eram editados e impressos com as imagens dessas pessoas.

 

Após a ativação das contas e cartões, pequenas movimentações financeiras eram realizadas para simular uma rotina bancária legítima. A prática tinha como objetivo ampliar gradualmente os limites de crédito.

 

Fraudes na plataforma Sou.Gov

Na etapa seguinte, os criminosos conseguiam suprimir a autenticação em dois fatores do Sou.Gov, elevando o nível de acesso das contas de servidores públicos para categorias mais altas, o que permitia a contratação de empréstimos sem autorização das vítimas.

 

Segundo a Polícia Civil do DF, apenas dois casos investigados no Distrito Federal resultaram em um prejuízo aproximado de R$ 364 mil, envolvendo duas instituições financeiras distintas.

 

Para garantir o ressarcimento e enfraquecer financeiramente a organização criminosa, a Justiça determinou o bloqueio de valores nas contas vinculadas aos investigados.

 

Os alvos poderão responder pelos crimes de organização criminosa e estelionato eletrônico. A operação conta com o apoio da Divisão de Operações Policiais (DOE/PCDF) e das polícias civis de Goiás e Mato Grosso.

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