A oposição no Congresso intensificou a pressão em torno das investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS, iniciou nesta quinta-feira (20) a coleta de assinaturas para tentar instalar uma nova comissão parlamentar destinada especificamente a investigar a atuação de Lulinha.
A iniciativa ocorre enquanto o filho do presidente é alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações apuram suspeitas de tráfico de influência e possível favorecimento de empresas junto a órgãos do governo federal. A defesa de Lulinha nega irregularidades.
Além da articulação no Congresso, Carlos Viana encaminhou ao ministro André Mendonça, do STF, um pedido para aprofundar as investigações e preservar provas digitais relacionadas ao caso.
Segundo o requerimento da nova CPMI, o objetivo é investigar uma eventual intermediação de interesses privados por Lulinha perante órgãos do Executivo. Entre os pontos mencionados estão tratativas envolvendo medicamentos à base de canabidiol, a lobista Roberta Luchsinger, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e empresas relacionadas às apurações.
O senador pretende esclarecer se houve pagamentos ou promessas de vantagens em troca de intermediação, quais órgãos e autoridades teriam sido procurados e se relações pessoais ou eventual acesso privilegiado à estrutura do governo foram utilizados para beneficiar interesses privados.
Esta é a segunda tentativa de levar o caso ao centro de uma investigação parlamentar. No fim de março, o relatório da CPMI do INSS, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), chegou a propor o indiciamento de Lulinha, mas o documento foi rejeitado pelo colegiado.
Paralelamente à CPMI, Viana apresentou ao ministro André Mendonça um complemento a uma representação criminal anterior. O documento cita reportagem da revista Veja sobre informações que teriam sido obtidas a partir de um inquérito sigiloso da Polícia Federal.
O senador pede que sejam preservados arquivos, imagens forenses, metadados e registros da cadeia de custódia de provas. A solicitação menciona mensagens atribuídas a Lulinha que teriam sido apagadas e posteriormente recuperadas por meio de ferramenta forense da PF. Também é solicitado aprofundamento sobre movimentações financeiras e eventual existência de recursos no exterior.
Os inquéritos envolvendo Lulinha ganharam força a partir do fim de julho. As apurações alcançam suspeitas de favorecimento de empresas perante órgãos federais, incluindo o Ministério da Saúde e a Dataprev. Uma das investigações, mantida sob sigilo, também apura possíveis relações entre Roberta Luchsinger, Lulinha e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula.
No campo político, o avanço das investigações ocorre em plena corrida presidencial, aumentando a atenção de aliados e adversários sobre os possíveis reflexos do caso durante a campanha eleitoral.
Para que uma CPMI seja criada, o requerimento precisa reunir pelo menos 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. Após atingir o número mínimo de apoios, a instalação ainda passa pelos procedimentos regimentais do Congresso.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega qualquer irregularidade e critica o que classifica como vazamentos seletivos de informações das investigações.
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