A direita e os partidos de oposição no Senado Federal decidiram mudar de estratégia e devem votar a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. A informação foi divulgada pelo diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, durante o programa WW, nesta segunda-feira (12).
Até a semana passada, a oposição articulava maneiras de adiar a votação para depois do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. A intenção era evitar que uma eventual aprovação da proposta pudesse beneficiar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral.
No entanto, interlocutores da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a avaliar que um posicionamento contrário à PEC poderia provocar desgaste eleitoral, especialmente diante da repercussão do tema nas redes sociais.
Segundo Rittner, existe uma preocupação de que a defesa de uma jornada de trabalho mais flexível seja interpretada pelos eleitores como uma posição contrária aos interesses dos trabalhadores.
Antes da mudança de postura, a estratégia da oposição também incluía a possibilidade de apresentar emendas ao texto. Caso alguma alteração fosse aprovada, a proposta precisaria retornar à Câmara dos Deputados, o que poderia impedir sua promulgação antes do segundo turno.
A votação foi colocada na pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que assumiu o compromisso de levar a matéria ao plenário.
Inicialmente prevista para quarta-feira (14), a análise poderá ocorrer apenas na quinta-feira (15), conforme avaliações de parlamentares governistas e da oposição.
A PEC propõe mudanças na jornada de trabalho, com o objetivo de acabar com o modelo em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso semanal.
Apesar da mudança de posicionamento da oposição, a proposta ainda depende da aprovação do Senado para avançar. Caso o texto seja aprovado sem alterações e já tenha concluído a tramitação na Câmara, poderá ser promulgado pelo Congresso Nacional.
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