Organizações de defesa dos direitos digitais e da liberdade de expressão realizam, nesta segunda-feira (19), uma manifestação em frente à sede da Meta, em São Paulo. O protesto ocorre após denúncias de bloqueios de contas, remoção de publicações e redução do alcance de conteúdos políticos nas plataformas da empresa, principalmente de perfis favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com o lema “Meta, não se meta na nossa eleição”, o ato está marcado para as 17h, na região da Faria Lima. As entidades organizadoras cobram transparência sobre os sistemas de recomendação de conteúdos, esclarecimentos sobre possíveis irregularidades e medidas para evitar restrições injustificadas durante o processo eleitoral.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo na sexta-feira (16), mensagens internas de funcionários da Meta apontaram problemas que prejudicaram a conta de Lula no Instagram. Os registros também indicaram que o perfil de Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista no segundo turno, apareceu indevidamente em recomendações da plataforma e em buscas no WhatsApp.
A Meta reconheceu a ocorrência de falhas técnicas, mas negou qualquer favorecimento a candidatos.
Um dos episódios ocorreu em 9 de outubro, quando o perfil de Lula ficou impedido de impulsionar publicações no Instagram por quase 24 horas. Segundo estimativas da campanha, a restrição teria impedido que aproximadamente 1,3 milhão de pessoas visualizassem anúncios.
A organização CTRL+Z também reuniu 1.121 relatos de bloqueios, remoções de conteúdos, banimentos e quedas de alcance, principalmente em contas favoráveis a Lula. Entretanto, o levantamento não constitui uma auditoria independente e não comprova que todas as situações relatadas representem irregularidades.
As entidades também questionaram o funcionamento da inteligência artificial da Meta. Em testes apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ferramenta teria recusado solicitações de imagens envolvendo Lula, enquanto aceitou comandos semelhantes relacionados a Flávio Bolsonaro.
Outra denúncia encaminhada ao Ministério Público Eleitoral envolve o alcance de publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Conforme levantamento das organizações, dez vídeos recentes do parlamentar somaram 410,5 milhões de visualizações, número superior ao registrado por 90 vídeos de outros nove deputados analisados, que totalizaram 137,3 milhões.
As entidades solicitaram esclarecimentos sobre a origem das visualizações e os critérios de distribuição dos conteúdos. A diferença de alcance, por si só, não comprova favorecimento por parte da plataforma.
O Ministério Público Federal também passou a apurar o caso. A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão abriu um procedimento para investigar possíveis restrições injustificadas aplicadas pela Meta e pelo X. A Meta tem até esta segunda-feira (19) para apresentar informações sobre a natureza, a duração e as justificativas das medidas adotadas.
Durante a manifestação, os organizadores pretendem entregar uma notificação extrajudicial ao diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister. Entre as reivindicações estão a realização de auditorias independentes, a revisão humana de decisões sobre bloqueios e maior transparência nos critérios de distribuição de publicações.
O protesto é organizado pelas entidades CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil.
A concentração está prevista para as 16h, em frente ao edifício B32, conhecido como Prédio da Baleia, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, no bairro Itaim Bibi. A programação deve seguir até as 20h.
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