A Polícia Federal cumpriu, na terça-feira (10), em São Luís (MA), um mandado de busca e apreensão contra o jornalista Luís Pablo, no âmbito de uma investigação que apura o crime de perseguição contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Durante a operação, os agentes apreenderam aparelhos celulares e um computador utilizados pelo jornalista. O processo tramita sob sigilo no STF.
De acordo com as investigações, publicações feitas em 2025 no blog mantido pelo jornalista teriam divulgado informações consideradas sensíveis sobre o veículo funcional utilizado pelo ministro e por sua equipe de segurança. O conteúdo incluía imagens do automóvel e dados que, segundo a Polícia Federal, indicariam monitoramento dos deslocamentos do ministro.
Na decisão que autorizou a busca, o STF aponta que o autor das publicações teria utilizado algum mecanismo estatal para identificar os veículos usados na segurança da autoridade, expondo detalhes que poderiam comprometer a proteção do ministro.
Os investigadores também apontam que novas postagens teriam reforçado a divulgação de informações restritas, incluindo dados sobre placas de veículos, número de agentes e outros detalhes relacionados à segurança. Para a Polícia Federal, as publicações podem indicar vigilância e acompanhamento do automóvel, além de possível acesso indevido a dados institucionais.
Ainda segundo o processo, há indícios de participação de outras pessoas no que foi descrito como uma “empreitada criminosa”.
Segurança do ministro motivou investigação
Em nota, a equipe do ministro Flávio Dino informou que a investigação teve início após alertas sobre o monitoramento ilegal de seus deslocamentos em São Luís.
Segundo o comunicado, foram divulgados dados como placas de veículos utilizados na segurança, nomes de agentes e detalhes operacionais. O material foi encaminhado à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, que deram início ao procedimento investigativo.
A equipe do ministro também ressaltou que o caso não está relacionado a crimes contra a honra ou a investigações sobre fake news, mas sim à apuração de possível monitoramento ilegal dos procedimentos de segurança.
Entidades de imprensa demonstram preocupação
Associações representativas da imprensa manifestaram preocupação com a decisão judicial. Em nota conjunta divulgada nesta quinta-feira (12), entidades como a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) afirmaram que a atividade jornalística possui proteção constitucional, incluindo o sigilo da fonte.
As entidades destacaram que eventuais crimes cometidos por profissionais da imprensa devem ser investigados dentro do devido processo legal, sem violar as garantias constitucionais do exercício da atividade jornalística.
Investigado aguarda acesso ao processo
Em nota divulgada nas redes sociais, o jornalista informou que foi alvo do mandado de busca e apreensão em sua residência e confirmou que equipamentos de trabalho foram apreendidos durante a diligência.
Ele afirmou que aguarda acesso integral aos autos do processo para compreender os fundamentos da decisão judicial. O jornalista também declarou manter compromisso com o exercício responsável do jornalismo e com a apuração de fatos de interesse público.
Jornal online com a missão de produzir jornalismo sério, com credibilidade e informação atualizada.