PF: investigados chamavam agentes públicos que recebiam propina no INSS de "heróis", "notáveis" e "amigos"

POR Marcos Paulo | 15/07/2026
PF: investigados chamavam agentes públicos que recebiam propina no INSS de
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A Polícia Federal (PF) concluiu que agentes públicos envolvidos no esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) eram identificados pelos investigados com codinomes como "heróis", "notáveis" e "amigos". As informações constam no relatório final da investigação, que também aponta o pagamento de pelo menos R$ 24,6 milhões em propinas a integrantes da alta administração da autarquia.

 

Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas pela PF. Entre elas estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Antônio Stefanutto; o ex-procurador-geral do instituto, Virgílio Antônio Ribeiro Filho; o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira; o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes; e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

 

Segundo o relatório, mensagens encontradas em celulares apreendidos revelam o uso de linguagem cifrada para se referir aos beneficiários das propinas. A PF afirma que os pagamentos eram essenciais para manter o esquema funcionando.

 

"A prova é veemente de que agentes públicos da alta administração do INSS e políticos essenciais recebiam propinas volumosas e recorrentes, denominadas internamente como pagamentos aos 'Heróis', 'Notáveis' ou 'Amigos'", destaca o documento.

 

As investigações apontam que o esquema teria desviado cerca de R$ 708 milhões e atingido mais de 600 mil vítimas, gerando milhares de reclamações administrativas e ações judiciais.

 

De acordo com a PF, o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, identificado nas mensagens como "italiano", teria recebido cerca de R$ 250 mil por mês em propinas. Parte dos repasses, segundo a investigação, era feita por meio de empresas de fachada, incluindo uma pizzaria.

 

Já o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes era chamado de "senza capelli" — expressão em italiano que significa "sem cabelo" ou "careca". O ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro Filho aparecia nas conversas como "malvado", enquanto Carlos Roberto Ferreira Lopes era identificado pelos apelidos "painho" e "funai".

 

A investigação teve origem após reportagens publicadas pelo portal Metrópoles, que revelaram o crescimento expressivo da arrecadação de entidades por meio de descontos associativos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas. As reportagens motivaram a abertura do inquérito da PF e contribuíram para a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril deste ano, que resultou nas demissões do então presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.

 

 

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