VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
O Palácio do Planalto iniciou uma articulação interna após a rejeição, pelo Senado Federal, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrida na quarta-feira (29). O nome do advogado-geral da União foi barrado por 42 votos contrários e 34 favoráveis, resultado que frustrou a expectativa do governo.
Nos bastidores, a derrota gerou desconforto entre aliados. Como a votação é secreta, integrantes da base governista passaram a tentar identificar possíveis dissidências e mapear quais senadores votaram contra a indicação. A estratégia visa recalibrar a relação com o Congresso Nacional.
De acordo com informações publicadas pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Jorge Messias logo após o resultado para avaliar os fatores que levaram à rejeição e discutir os próximos passos. Também participaram do encontro ministros e lideranças do governo no Congresso.
Entre as medidas analisadas pelo Planalto está a possibilidade de revisão de indicações políticas ligadas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que ocupam cargos no governo federal.
Apesar da derrota, o governo afirma respeitar a decisão do Senado. Ainda assim, integrantes da base cobram esclarecimentos sobre os motivos da rejeição.
Nos bastidores do Congresso, a avaliação é de que uma nova indicação ao STF deve ser feita apenas após o período eleitoral.
Histórico e articulação frustrada
Jorge Messias foi o terceiro indicado de Lula ao STF neste mandato. Os nomes anteriores tiveram aprovação, embora com redução no número de votos favoráveis em comparação a indicações passadas.
Antes da votação, o governo intensificou a articulação política. Messias se reuniu com dezenas de senadores, inclusive da oposição, e havia sinalizações de apoio suficientes para garantir a aprovação.
Além disso, o Planalto acelerou a liberação de emendas parlamentares. Somente em abril, foram empenhados cerca de R$ 11,6 bilhões, sendo R$ 2,5 bilhões destinados a senadores.
Mesmo com o esforço, o resultado no plenário não correspondeu às expectativas e acabou sendo considerado uma derrota histórica. Esta foi a primeira vez, em mais de um século, que uma indicação presidencial ao STF foi rejeitada pelo Senado.
Repercussão
O resultado surpreendeu integrantes do próprio governo, que esperavam uma margem confortável de aprovação. Já na oposição, a votação gerou críticas e ironias sobre a articulação política do Executivo.
Com informações de Metrópoles.
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