O presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi recebido em duas ocasiões no Palácio do Planalto meses antes da escola levar à Sapucaí o enredo “Lula, o operário do Brasil”, no último domingo (15).
De acordo com a agenda oficial, Palhares se reuniu com a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, nos dias 2 e 16 de outubro de 2025. A pauta registrada na plataforma de transparência indica que o encontro tratou de “contribuições com propostas e sugestões para o processo decisório da administração pública referente a estratégias de governo e/ou política pública”.
Na reunião do dia 2 de outubro também estiveram presentes a assessora da escola, Márcia Abdala, e o trompetista Fabiano Duarte, militante do PT conhecido por participar de eventos de apoio ao partido e que integrou o desfile da agremiação.
A Secretaria de Relações Institucionais foi questionada sobre o motivo da agenda com representantes da escola, já que a pasta é responsável pela articulação política do governo com os demais Poderes, mas não respondeu até a publicação desta matéria.
Paralelamente, a primeira-dama Janja visitou a Acadêmicos de Niterói duas vezes. A primeira ocorreu em 6 de outubro de 2025, antes mesmo da divulgação oficial do enredo, que só foi anunciada no dia 21 daquele mês.
Na ocasião, Janja esteve acompanhada pelas ministras Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Anielle Franco (Igualdade Racial). Após a visita, elas participaram da cerimônia de lançamento da Conferência da Década dos Oceanos de 2027 no Brasil.
Mais recentemente, em 6 de fevereiro, a primeira-dama acompanhou os ensaios técnicos da escola na Marquês de Sapucaí, novamente ao lado de Anielle. Havia expectativa de que ela desfilasse no último carro alegórico, o que não se confirmou. Na última semana, o presidente Lula decidiu vetar a participação de ministros no desfile que o homenageava.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, aliados demonstraram preocupação com uma eventual participação de Janja, avaliando que isso poderia gerar desgaste político e fortalecer críticas da oposição. Pessoas próximas ao presidente teriam se mostrado aliviadas com a desistência.
Em relação aos valores destinados ao Carnaval, o governo do Estado do Rio de Janeiro informou que repassou R$ 40 milhões às escolas do Grupo Especial e para a operação da Marquês de Sapucaí. A gestão estadual afirmou que a definição e execução dos gastos são de responsabilidade da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro).
Já a Embratur declarou que, por meio de termo de cooperação técnica com a Liesa, com interveniência do Ministério da Cultura, destinou R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas do Grupo Especial. Segundo a empresa, os recursos foram repassados à Liga, responsável por operacionalizar a distribuição às agremiações.
Apesar da repercussão política do enredo, a Acadêmicos de Niterói foi rebaixada. Na apuração realizada na quarta-feira (18), a escola somou 264,6 pontos e retornou ao Grupo Ouro, um ano após ter conquistado o acesso ao Grupo Especial.
Durante o desfile, além de exaltar a trajetória do presidente Lula, a escola fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), retratado na avenida como o personagem “Bozo”.
A campeã deste ano foi a Viradouro, também de Niterói, que apresentou uma homenagem ao mestre de bateria Ciça, celebrando seus 15 anos de história na agremiação.
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