Trabalhadoras domésticas relatam pressão de patrões para votar em candidatos nas eleições

POR Marcos Paulo | 26/10/2026
Trabalhadoras domésticas relatam pressão de patrões para votar em candidatos nas eleições

Foto: Agência Brasil

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Trabalhadoras domésticas têm relatado situações de pressão e intimidação por parte de empregadores para votar em determinados candidatos. Com a proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), entidades de defesa dos direitos trabalhistas reforçam o alerta sobre o assédio eleitoral e orientam as vítimas a denunciar.

 

A empregada doméstica Leandra Lacerda, de 52 anos, afirma que enfrentou esse tipo de situação em diferentes momentos de sua trajetória profissional. Segundo ela, alguns patrões tentavam impor suas preferências políticas, inclusive por meio de cobranças diretas.

 

“Eu trabalhava numa residência. E a empregadora gritava comigo para votar em um candidato”, relatou.

 

Leandra começou a trabalhar aos 11 anos e acumula quatro décadas de experiência na profissão. Atualmente, é secretária de comunicação da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e atua na conscientização de outras profissionais sobre seus direitos.

 

Na última semana, a Fenatrad lançou, em parceria com a organização Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, a campanha “Não passaremos pano”, que busca combater diferentes formas de violência contra trabalhadoras domésticas, incluindo assédio moral, sexual, patrimonial e eleitoral.

 

O que caracteriza assédio eleitoral?

 

De acordo com o procurador Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de promoção da igualdade de oportunidades e eliminação da discriminação no trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), o assédio eleitoral ocorre quando um empregador utiliza sua posição de autoridade para constranger ou influenciar a escolha política de um funcionário.

 

A prática pode envolver ameaças de demissão, promessas de benefícios em troca de votos, cobranças sobre preferências políticas e até exigências relacionadas ao título de eleitor e ao local de votação.

 

O procurador destaca que as trabalhadoras domésticas estão especialmente vulneráveis, já que exercem suas atividades dentro de residências particulares, muitas vezes em situações de isolamento e dependência econômica.

 

Denúncias podem ser feitas ao Ministério Público do Trabalho

 

Até a noite de quinta-feira (22), o Ministério Público do Trabalho havia registrado cerca de 1,7 mil denúncias de assédio eleitoral em 2026. A expectativa do órgão é de que novos casos sejam comunicados até o segundo turno.

 

As vítimas podem registrar denúncias pelo site oficial do Ministério Público do Trabalho ou presencialmente nas unidades do órgão.

 

A recomendação é guardar mensagens, áudios e outros registros que possam comprovar as pressões. Também é possível solicitar sigilo da identidade durante a denúncia.

 

A diretora da Themis, Jéssica Miranda, ressalta que a relação de emprego não autoriza interferências nas decisões políticas dos trabalhadores.

 

“O voto é livre e secreto. A democracia também precisa ser respeitada dentro das casas onde essas mulheres trabalham”, afirmou.

 

A legislação brasileira protege os trabalhadores contra práticas discriminatórias, e casos de assédio eleitoral podem resultar em investigação e responsabilização dos envolvidos.

 

Com informações de Agência Brasil.

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