O termo “vício em dopamina” ganhou força nas redes sociais e costuma ser associado à sensação de prazer rápido, como receber curtidas ou assistir vídeos curtos. Apesar da popularização, especialistas alertam que o conceito é mais complexo e, muitas vezes, interpretado de forma equivocada.
De acordo com o psiquiatra Fabrício Valiante, a dopamina não deve ser vista apenas como o “hormônio do prazer”. Segundo ele, a substância está mais relacionada à antecipação e ao aprendizado por recompensa. O problema, portanto, não é sentir prazer, mas entrar em um ciclo constante de busca por estímulos rápidos.
O psiquiatra Oswaldo Petermann Neto reforça que a questão central não está no excesso da dopamina, mas no comportamento aprendido. Segundo ele, redes sociais e jogos utilizam mecanismos de recompensa imprevisível, o que aumenta a repetição dessas ações. Com isso, o cérebro passa a operar em estado de expectativa contínua, sempre aguardando novas recompensas, como notificações e atualizações no feed.
Quando o uso deixa de ser hábito e vira compulsão
Nem todo uso frequente de celular configura vício. A diferença está no nível de controle. Especialistas apontam que o problema se instala quando a pessoa perde o domínio sobre o comportamento.
Entre os principais sinais estão a dificuldade em parar, o uso contínuo mesmo diante de prejuízos e a necessidade de estímulos cada vez maiores. Outro indicativo importante é a chamada fissura — quando há uma necessidade constante de uso, muitas vezes acompanhada de culpa.
A psicóloga Flavia Marsola destaca que o alerta também surge quando o comportamento deixa de gerar satisfação e passa a acontecer de forma automática, apenas para aliviar emoções como ansiedade, tédio ou sensação de vazio.
Sinais de alerta no uso de telas
Entre os principais indícios de que o comportamento pode estar se tornando problemático, especialistas destacam:
Um ponto menos evidente, mas relevante, é quando o estímulo domina a mente mesmo na ausência do celular — fenômeno conhecido como saliência cognitiva.
Problema pode estar ligado a outros transtornos
Os especialistas ressaltam que o chamado vício em dopamina, na maioria dos casos, não surge de forma isolada. Ele pode estar associado a condições como ansiedade, depressão, TDAH e transtornos de impulso.
Segundo Flavia Marsola, o comportamento muitas vezes funciona como uma tentativa de regulação emocional. Ou seja, mais do que falta de controle, trata-se de uma estratégia para lidar com desconfortos internos — o que exige uma abordagem mais ampla no tratamento.
Tratamento exige mudança de comportamento
Não há soluções rápidas para o problema. O tratamento envolve uma combinação de estratégias e mudanças no dia a dia.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais indicadas, ajudando no controle de impulsos e na reorganização de padrões de pensamento. Além disso, medidas práticas como melhorar o sono, reduzir notificações e reorganizar o ambiente têm impacto significativo.
Especialistas também destacam a importância de substituir o comportamento, e não apenas eliminá-lo. Em alguns casos, o uso de medicação pode ser necessário, principalmente quando há transtornos associados.
No geral, o objetivo não é eliminar o uso da tecnologia, mas recuperar o controle sobre as escolhas. O desafio está em equilibrar o prazer com a autonomia no uso dos estímulos digitais.
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