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Um homem foi detido pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) depois de ser flagrado tomando banho em um lago de Goiânia, no sábado (5). A ocorrência foi atendida pela Guarda Ambiental, grupamento que atua na fiscalização e proteção de áreas verdes e unidades de conservação da capital.
O banho não é uma atividade autorizada nos lagos dos parques municipais. Além de contrariar as regras de utilização desses espaços, a prática pode oferecer riscos que nem sempre são percebidos por quem entra na água.
A Guarda Ambiental também realiza ações de orientação aos frequentadores, monitoramento de unidades de conservação e fiscalização de situações que possam comprometer áreas protegidas. O trabalho busca reduzir riscos e preservar os ambientes naturais existentes dentro da cidade.
Os planos de manejo de diferentes parques municipais estabelecem quais atividades podem ser realizadas pelos visitantes. Em unidades como o Parque Areião e o Bosque dos Buritis, por exemplo, o uso recreativo da água não está entre as atividades autorizadas.
Os lagos também exercem funções ambientais. Eles integram ecossistemas urbanos e podem servir de abrigo, alimentação e reprodução para espécies, além de participar da drenagem e do equilíbrio ambiental das áreas onde estão inseridos.
Por isso, o fato de um parque ser aberto à visitação não significa que todas as atividades de lazer sejam permitidas em seu interior.
A relação dos moradores de Goiânia com os lagos dos parques mudou ao longo do tempo. O Lago das Rosas, por exemplo, funcionou como balneário público durante parte do século passado e chegou a contar com estrutura destinada aos banhistas.
Com as transformações da cidade e mudanças relacionadas às condições ambientais e à segurança, o banho deixou de ser permitido. O antigo trampolim existente no local é um dos elementos que permanecem como lembrança desse período em que atividades aquáticas faziam parte da utilização do espaço.
Atualmente, o Lago das Rosas tem outra função dentro da paisagem ambiental e histórica de Goiânia.
A qualidade visual da água não permite determinar se ela é adequada para banho. Segundo a bióloga Fernanda Flores, somente análises específicas de balneabilidade podem indicar a presença de microrganismos ou contaminantes capazes de provocar riscos à saúde.
Lagos urbanos estão sujeitos à influência das chuvas e do escoamento superficial. Durante precipitações intensas, resíduos presentes em ruas, calçadas e outras áreas podem chegar aos corpos d’água.
Além disso, a contaminação nem sempre altera a cor ou o cheiro da água. Por isso, observar o lago não é suficiente para avaliar se o contato com a água é seguro.
Outro problema está relacionado às características físicas desses ambientes. Informações já divulgadas pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) após outro episódio no Lago das Rosas apontaram que os lagos dos parques da capital não apresentam condições de balneabilidade.
Na ocasião, em abril, um homem foi visto nadando no Lago das Rosas durante uma forte chuva, quando o nível da água estava elevado.
A profundidade pode mudar de maneira repentina e o fundo pode conter lama, vegetação, galhos e sedimentos. O solo argiloso também pode dificultar a movimentação de uma pessoa dentro da água.
Assim, mesmo quem sabe nadar pode enfrentar dificuldades e sofrer um acidente.
A entrada de pessoas na água não representa apenas um risco individual. A movimentação pode revolver sedimentos, afetar a vegetação aquática e provocar perturbações na fauna.
De acordo com Fernanda Flores, a ausência de uma análise de balneabilidade impede que a segurança da água seja determinada apenas pela aparência. A orientação é que o banho seja realizado exclusivamente em locais avaliados e autorizados para essa finalidade.
O episódio registrado no sábado reforça a importância de seguir a sinalização e as regras específicas de cada parque. A restrição ao banho busca preservar tanto os frequentadores quanto os ecossistemas mantidos dentro da área urbana.
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