Mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) no inquérito que apura supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master passaram a mencionar o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. As referências aparecem em conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel.
De acordo com informações já encaminhadas ao Supremo, os diálogos tratam de valores que seriam destinados à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio. No passado, a empresa teve participação no Resort Tayayá, no Paraná, empreendimento que esteve ligado a familiares do ministro. Posteriormente, a Maridt vendeu parte da participação a um grupo relacionado a Vorcaro.
O conteúdo integra relatório enviado pela PF ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. A corporação não solicitou a suspeição de Toffoli, mas pediu que a Corte avalie a situação do ministro como relator do caso, diante das menções encontradas nos aparelhos apreendidos.
Segundo fontes, não há troca direta de mensagens entre Toffoli e Vorcaro. O nome do ministro surge em conversas entre terceiros, especialmente entre Vorcaro e Zettel, que possuem vínculos societários com fundos e empresas que, em algum momento, mantiveram relação com o empreendimento hoteleiro.
Até o momento, a Polícia Federal não aponta a existência de crime envolvendo o magistrado. A investigação segue concentrada na atuação de Daniel Vorcaro e de pessoas próximas a ele em operações financeiras sob suspeita.
Após a divulgação do conteúdo, a defesa de Vorcaro divulgou nota em que demonstra preocupação com o que chamou de “vazamento seletivo” de informações, afirmando que há risco de criação de narrativas distorcidas e defendendo que o caso seja conduzido com isenção e respeito ao devido processo legal.
Em nota, o ministro Dias Toffoli esclareceu que a Maridt é uma empresa familiar, constituída como sociedade anônima de capital fechado, devidamente registrada e com declarações anuais entregues à Receita Federal. Segundo ele, tanto as declarações da empresa quanto as de seus acionistas sempre foram aprovadas.
Toffoli afirma que integra o quadro societário da empresa, administrada por parentes, e destaca que a Lei Orgânica da Magistratura permite que magistrados participem de sociedades e recebam dividendos, vedando apenas a atuação em atos de gestão.
A Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída ocorreu por meio de duas operações: a venda de cotas ao Fundo Arllen, em setembro de 2021, e a alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em fevereiro de 2025. Segundo o ministro, todas as transações foram realizadas a valor de mercado e devidamente declaradas à Receita Federal.
O ministro também ressaltou que a ação relacionada à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída a ele em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não fazia mais parte do grupo Tayayá. Toffoli afirmou ainda que desconhece o gestor do Fundo Arllen, que não possui relação de amizade com Daniel Vorcaro e que jamais recebeu qualquer valor do banqueiro ou de Fabiano Zettel.
Agora, caberá ao presidente do STF analisar o relatório encaminhado pela Polícia Federal e decidir quais medidas poderão ser adotadas no andamento do processo.
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