Aluno denuncia ter se sentido constrangido após academia considerar bermuda de treino "inadequada" Foto: Arquivo pessoal/Marcus Andrade
A Justiça determinou que uma academia de Anápolis, a cerca de 55 quilômetros de Goiânia, pague indenização de R$ 20 mil por danos morais a um aluno que relatou ter sido constrangido após ser advertido pelo uso de um short considerado inadequado durante um treino. As informações são do G1.
A decisão foi proferida na terça-feira (3) pela juíza Luciana de Araújo Camapum Ribeiro, do 3º Juizado Especial Cível da cidade. Ainda cabe recurso por parte do estabelecimento.
O caso ocorreu em junho de 2025. Segundo o administrador de empresas Marcus Andrade, de 42 anos, ele havia terminado o treino na academia localizada no bairro Jardim Europa e aguardava uma carona do marido quando foi chamado por um funcionário para conversar em uma sala reservada.
De acordo com o relato, um cliente teria reclamado do tamanho do short utilizado por Marcus, alegando que a roupa causou desconforto à esposa dele, que também treinava no local. O funcionário então informou que a peça estaria em desacordo com o código de vestimenta da academia.
Na decisão judicial, a magistrada avaliou que a abordagem inicial do funcionário, realizada de forma discreta, não configurou irregularidade. A juíza reconheceu que estabelecimentos privados têm autonomia para estabelecer regras de vestimenta e organização interna.
A condenação, no entanto, ocorreu por causa da forma como a academia se posicionou publicamente após o episódio ganhar repercussão nas redes sociais.
Na sentença, a magistrada entendeu que a nota divulgada pela empresa, ao mencionar a intenção de honrar valores religiosos para justificar a postura adotada, acabou reforçando interpretações discriminatórias em relação à orientação sexual do aluno, que é homossexual.
Para a Justiça, essa manifestação pública extrapolou a relação contratual e resultou em ofensa à dignidade e à honra do consumidor, caracterizando falha na prestação do serviço.
O valor de R$ 20 mil foi fixado com finalidade educativa, com o objetivo de evitar a repetição de condutas semelhantes.
Marcus frequentava a academia havia cerca de dois anos. Após o episódio, ele decidiu cancelar o plano que mantinha no local, bem como o contrato da mãe. O plano anual havia custado aproximadamente R$ 15 mil, valor posteriormente reembolsado pela empresa.
O caso ocorreu em 30 de junho de 2025 e ganhou repercussão após o aluno relatar a situação nas redes sociais.
Até a última atualização da reportagem, o advogado da academia Hope Select e o próprio estabelecimento não haviam se manifestado sobre a decisão judicial.
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