A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) encerrou o mês de junho de 2026 com 6.003 servidores comissionados na folha de pagamento, um aumento de 621 cargos em relação ao mesmo período do ano passado. O número representa um crescimento contínuo desde o início da gestão do presidente da Casa, deputado Bruno Peixoto (UB), em 2023, quando havia 3.711 comissionados.
Do total de servidores comissionados, 4.298 estão lotados nos gabinetes dos 41 deputados estaduais. Os demais atuam na área administrativa da Assembleia, enquanto o quadro de servidores efetivos é composto por 446 funcionários.
Em junho, quatro meses antes das eleições, os gastos com os comissionados chegaram a R$ 48,6 milhões. Desse montante, cerca de R$ 6 milhões foram destinados ao pagamento de auxílios, incluindo o auxílio-alimentação de R$ 1 mil pago a todos os servidores da Casa. No mesmo mês, a folha geral da Alego alcançou R$ 68 milhões.
Segundo o diretor financeiro da Assembleia, Edilson Bezerra da Silva, o aumento da despesa foi influenciado principalmente pelo pagamento da primeira parcela do 13º salário e por rescisões trabalhistas. Ele também afirmou que a definição da quantidade de servidores em cada gabinete é de responsabilidade dos próprios parlamentares.
O crescimento no número de comissionados foi viabilizado por mudanças nas regras de contratação aprovadas durante a atual gestão. O limite de vagas por gabinete passou de 58 para 95 e, atualmente, chega a 120 cargos.
Além disso, cada deputado dispõe de um teto de R$ 88,7 mil para custear os salários de sua equipe, podendo optar por contratar menos servidores com salários mais altos ou ampliar o número de funcionários com remunerações menores, desde que respeite o limite financeiro.
Edilson Silva explicou ainda que a forma de contabilização da folha pode elevar temporariamente o número de servidores registrados em determinado mês. Segundo ele, se um parlamentar exonera um servidor e, antes do fechamento da folha, contrata dois outros com salários menores, os três pagamentos podem aparecer na mesma competência.
O aumento das contratações também está sendo acompanhado pelos órgãos de controle. O Ministério Público de Goiás informou que mantém um inquérito civil para apurar o quantitativo de servidores comissionados na Alego e analisa informações encaminhadas pelos órgãos responsáveis.
Já o Tribunal de Contas do Estado (TCE-GO) confirmou que uma representação apresentada pelo MP tramita na Corte desde o início de junho. A Assembleia foi notificada para prestar esclarecimentos, mas, por se tratar de um processo em fase inicial, o tribunal informou que ainda não há novas informações públicas.
Atualmente, o Portal da Transparência da Alego não permite identificar quantos comissionados estão vinculados a cada deputado. Os servidores aparecem apenas com a identificação de "gabinete parlamentar", sem especificar a qual gabinete pertencem. Segundo a direção financeira da Casa, uma atualização do sistema está em desenvolvimento para ampliar a transparência dessas informações.
Com informações de O Popular.
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