Goiás

Anápolis revisa licenças após 4.550 servidores terem afastamento

POR Redação | 30/07/2026
Anápolis revisa licenças após 4.550 servidores terem afastamento

(Foto: Paulo de Tarso/ Prefeitura de Anápolis)

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A Prefeitura de Anápolis iniciou uma auditoria para revisar os afastamentos de servidores municipais por licença médica após identificar um volume considerado elevado de atestados apresentados ao longo de 2025. Dos 7.605 funcionários ativos no município naquele ano, 4.550 ficaram afastados em algum momento por motivos de saúde, o equivalente a 58,8% do quadro. As informações são do Mais Goiás.

 

O impacto dos afastamentos também chamou atenção pelo volume de recursos envolvidos. De acordo com a administração municipal, a folha de pagamento da prefeitura é de aproximadamente R$ 54 milhões por mês. Cerca de metade desse valor, ou R$ 27 milhões, teria sido destinada ao pagamento de servidores que estavam afastados por licença médica.

 

A prefeitura ressalta, no entanto, que os números não representam, por si só, indícios de fraude ou irregularidade. Parte dos afastamentos pode estar relacionada a problemas de saúde legítimos e devidamente comprovados.

 

Durante a análise dos casos, porém, foram identificadas situações que despertaram suspeitas e levaram informações aos órgãos responsáveis pela investigação.

 

Médico recebeu mais de R$ 360 mil durante licença

Um dos casos levantados envolve um médico concursado da Prefeitura de Anápolis. Segundo informações divulgadas pela TV Anhanguera, o servidor está afastado por licença médica desde 2024 e, nesse período, recebeu mais de R$ 360 mil do município sem desempenhar suas funções.

 

Paralelamente, conforme o levantamento apresentado na reportagem, o profissional continuou trabalhando em um cargo no governo federal. A remuneração recebida nessa outra função seria superior a R$ 20 mil por mês.

 

Outro caso sob análise envolve um professor da rede municipal. O servidor estaria afastado desde 2025 e teria recebido aproximadamente R$ 265 mil durante o período em que permaneceu de licença médica. Ao mesmo tempo, ele teria continuado exercendo atividades em um cargo no governo estadual, pelo qual também recebe remuneração.

 

A acumulação de cargos públicos, isoladamente, não configura irregularidade quando atende às exigências previstas na legislação. O ponto investigado pela administração municipal é se os servidores foram considerados incapazes para desempenhar suas funções na Prefeitura de Anápolis, mas permaneceram aptos a exercer normalmente atividades profissionais em outros órgãos públicos.

 

Licença pode durar até dois anos

O Estatuto dos Servidores de Anápolis prevê que a licença médica pode ser concedida por até dois anos, desde que o funcionário seja submetido periodicamente a avaliações realizadas pela junta médica oficial.

 

Caso a incapacidade permaneça após esse período, o servidor pode ser aposentado por invalidez ou passar por processo de readaptação para desempenhar uma função compatível com suas condições de saúde.

 

Prefeitura promete ampliar apuração

O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, afirmou à TV Anhanguera que a auditoria será ampliada para alcançar todos os casos de afastamento por licença médica. Segundo ele, procedimentos administrativos já foram iniciados.

 

A administração municipal pretende instaurar processos disciplinares quando houver elementos que indiquem irregularidades, além de buscar o ressarcimento de valores pagos indevidamente, caso as suspeitas sejam confirmadas.

 

A prefeitura também informou que pretende encaminhar informações ao Ministério Público e à Polícia Civil para que sejam realizadas as investigações cabíveis.

 

Outro ponto que deverá ser analisado é a atuação dos envolvidos na concessão das licenças consideradas suspeitas. A administração defende que eventuais responsabilidades sejam apuradas entre todos os agentes que participaram dos procedimentos.

 

O prefeito também afirmou que o controle sobre os afastamentos deverá ser mantido de forma permanente.

 

As investigações ainda estão em andamento e, até o momento, os nomes dos servidores investigados não foram divulgados pelas autoridades.

 

Espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Anápolis.

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