A Prefeitura da Cidade de Goiás iniciou uma articulação política para retomar a discussão sobre uma compensação financeira do Governo de Goiás pelas perdas sofridas após a transferência da capital estadual para Goiânia, em 1937. O tema volta à pauta durante a programação do tricentenário do município, lançada nesta quarta-feira (27).
O prefeito Aderson Gouvea (PT) se reúne nesta quarta-feira, às 14h, com o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (UB), e deputados favoráveis à proposta. A ideia é recuperar e atualizar um projeto de lei apresentado em 1936, mas que acabou engavetado antes da conclusão da tramitação.
Segundo o prefeito, a proposta busca garantir investimentos que ajudem a suprir demandas históricas da antiga capital goiana, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco. Entre as prioridades citadas estão obras de infraestrutura, pavimentação, drenagem, revitalização da orla do Rio Vermelho, conclusão da rede de esgoto e fortalecimento do turismo e da cultura local.
Aderson afirmou que também pretende discutir o assunto com o governador Daniel Vilela (MDB), já que qualquer projeto envolvendo impacto orçamentário precisa partir do Executivo estadual. O prefeito destacou que a iniciativa não representa confronto político com Goiânia ou com o governo estadual.
“Não queremos brigar com ninguém. Não somos contra Goiânia, que é a nossa filha. Queremos apoio para cuidar da história e gerar oportunidades para as futuras gerações”, afirmou.
O debate já começou a ganhar espaço na Alego. O deputado estadual Karlos Cabral (PSB) apresentou requerimento para criação da Frente Parlamentar de Compensação Financeira da Cidade de Goiás. O parlamentar defende que a mudança da capital provocou impactos econômicos profundos no município, afetando comércio, empregos e investimentos públicos.
O presidente da Alego, Bruno Peixoto, afirmou considerar a proposta legítima, mas ressaltou que a iniciativa depende do governo estadual. “É salutar iniciar esse debate pela importância histórica da Cidade de Goiás”, declarou.
De acordo com registros históricos citados na proposta, a compensação à Cidade de Goiás chegou a ser prometida pelo então interventor Pedro Ludovico Teixeira durante o processo de transferência da capital para Goiânia. As garantias incluíam investimentos em infraestrutura, manutenção de unidades de ensino e repasses financeiros ao município.
O projeto de lei apresentado em 1936 previa, inclusive, repasse integral dos impostos estaduais arrecadados na cidade durante dez anos, além de melhorias na rede de água e esgoto. Apesar da aprovação inicial na Assembleia da época, a proposta nunca foi concluída.
Fonte: O Popular
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