Foto: © José Cruz/Agência Brasil
A comunidade quilombola Mesquita, localizada em Cidade Ocidental (GO), tem um motivo especial para celebrar seus 280 anos de história em 2026. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconheceu, no último dia 19, que o território tradicional da comunidade possui 4,1 mil hectares — uma área cerca de 80% maior do que a ocupada atualmente.
Com a decisão, cerca de 1,1 mil famílias, o que representa mais de duas mil pessoas, aguardam agora a etapa de desintrusão, que prevê a retirada de ocupantes irregulares da área, entre eles produtores ligados à soja.
Moradores da comunidade avaliam que o reconhecimento do território vai além da ampliação da área. A medida também deve contribuir para frear o avanço do desmatamento no Cerrado, provocado por grileiros, além de garantir mais segurança às famílias quilombolas.
A preservação ambiental e o uso sustentável da terra fazem parte do modo de vida tradicional da comunidade. Com a retomada da posse, a expectativa é que os moradores possam voltar a investir na agricultura, prática que foi prejudicada ao longo dos anos pelas invasões.
Segundo relatos da própria comunidade, muitos moradores precisaram buscar subempregos longe de casa devido à perda de áreas produtivas.
A notícia foi recebida com alívio e entusiasmo, e a comunidade já prepara uma grande celebração durante a tradicional Festa do Marmelo, marcada para o dia 11 de janeiro. O fruto é símbolo de resistência e também uma importante fonte de renda para os agricultores locais.
Em nota oficial, o Incra destacou que o reconhecimento do território representa um passo importante no processo de reparação histórica aos descendentes de pessoas escravizadas, especialmente aqueles que ainda enfrentam os impactos da grilagem de terras.
O órgão também ressaltou que, ao longo dos anos, as invasões reduziram o acesso dos quilombolas às áreas de plantio, moradia e até mesmo a caminhos tradicionais que cortam o território.
Além de garantir o direito à terra ancestral, o reconhecimento também protege as famílias contra a especulação imobiliária, cada vez mais presente na região.
Pesquisas antropológicas apontam que a comunidade quilombola Mesquita teve papel fundamental na construção de Brasília. Os moradores contribuíram com a produção de alimentos, além de ajudarem na estruturação de cantinas, hospedagens e refeitórios que atenderam os trabalhadores que participaram da construção da capital federal, em um período em que a região ainda tinha pouca produção agrícola.
Com informações de Agência Brasil.
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