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Nos últimos dez anos, a participação de trabalhadores com carteira assinada no Brasil caiu de 41% para 38,1% do total de ocupados, enquanto a fatia de profissionais que trabalham por conta própria subiu de cerca de 22% para 25,2%. Os números, levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados em pesquisa da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), indicam que grande parte desse crescimento está entre os autônomos formalizados com CNPJ, que, em média, têm rendimentos mais altos que celetistas atuando nos mesmos setores. Essa mudança, impulsionada por fatores como menor custo tributário e maior flexibilidade, já influencia as estratégias de contratação e retenção nas empresas.
Para as organizações, lidar com equipes mistas, compostas por celetistas e Pessoas Jurídicas (PJs), demanda atenção especial a aspectos como integração, alinhamento cultural e cumprimento de legislações trabalhistas e tributárias. Já para os profissionais, a escolha pelo modelo PJ implica assumir responsabilidades adicionais, como gestão financeira, previdenciária e fiscal.
De acordo com a especialista em Recursos Humanos e diretora da Acelere, Lorranny Sousa, o crescimento desse formato de contratação exige que as empresas revisem suas políticas internas.
“O aumento do número de profissionais que atuam no formato PJ não é apenas uma mudança estatística, mas um sinal de que as relações de trabalho estão se transformando. As áreas de RH precisam desenvolver estratégias que contemplem diferentes modelos contratuais, sem perder de vista a experiência do colaborador, a produtividade e a conformidade legal”, afirma.
Ela ressalta que a tendência também reforça a necessidade de planejamento de longo prazo. “A gestão de pessoas deve estar preparada para lidar com aspectos como programas de desenvolvimento e reconhecimento adequados, que atendam a todos os perfis e a manutenção de um ambiente de trabalho inclusivo, independentemente do vínculo contratual”, completa.
A perspectiva é que o modelo PJ continue relevante no mercado, especialmente em setores que demandam alta especialização e projetos de curta ou média duração. Para a especialista, acompanhar essa evolução e antecipar ajustes será decisivo para garantir a competitividade e a sustentabilidade das organizações.
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