Goiana é a primeira aprovada do Brasil em cota para quilombola para ser diplomata Foto: Arquivo pessoal
A goiana Helen Jaine Gomes Borgens entrou para a história do concurso público para diplomatas ao se tornar a primeira brasileira aprovada na modalidade de cotas para quilombolas. Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela integra a comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia, no nordeste goiano. O salário inicial previsto no edital para a carreira é de R$ 22,5 mil.
A aprovação ocorreu no primeiro concurso para a carreira diplomática realizado sob a vigência da Lei nº 15.142/2025, conhecida como nova lei de cotas. Em resposta ao g1, o Ministério das Relações Exteriores informou que a legislação estabelece a reserva de vagas em concursos públicos federais para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas.
Helen nasceu em Goiânia e começou a se interessar pela carreira após receber incentivo de um professor do curso preparatório para o vestibular. Durante a graduação, porém, chegou a se afastar da área e considerou mudar de curso.
A decisão de continuar veio após um pedido da mãe para que ela persistisse por mais um semestre. Foi nesse período que Helen cursou Política Externa Brasileira, disciplina que despertou novamente seu interesse pelas Relações Internacionais e fortaleceu o objetivo de se tornar diplomata, conforme informou a assessoria da universidade.
Para conhecer o nível de exigência da seleção, ela chegou a imprimir uma prova anterior. Depois de concluir a graduação, em 2025, voltou para Simolândia e passou a se dedicar à preparação para o concurso.
Segundo relato à UFG, morar no interior dificultou o acesso de Helen a cursos especializados para a seleção. Por isso, ela precisou estudar inglês e aprofundar os conhecimentos exigidos pelo concurso de forma independente.
O esforço resultou na aprovação na única vaga destinada a candidatos quilombolas. A confirmação foi publicada no edital em 23 de junho.
Helen afirmou à universidade que sente orgulho da conquista e pretende chegar ao posto de embaixadora, o nível mais alto da carreira diplomática. Para ela, ocupar esse espaço também representa a possibilidade de representar a população quilombola.
O Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) é realizado desde 1996 pelo Instituto Rio Branco, instituição de formação diplomática vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. A seleção é conhecida pela concorrência e pela variedade de conhecimentos exigidos.
Podem participar brasileiros com formação superior. O processo seletivo inclui uma etapa objetiva e outra dissertativa, com avaliações em oito disciplinas, entre elas História do Brasil, Política Internacional, Economia e Direito.
Após a aprovação, os candidatos precisam concluir o Curso de Formação de Diplomatas no Instituto Rio Branco, com duração de três a quatro semestres. A primeira função da carreira é a de terceiro-secretário.
Diplomatas representam e defendem os interesses do Brasil diante de outros países e de organizações internacionais. Com sua aprovação, Helen passa a integrar esse caminho profissional por meio da vaga reservada a quilombolas.
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