Câmara Municipal de Goiânia Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Goiânia
A Câmara Municipal de Goiânia promulgou a lei que cria o Programa Escudo Feminino, destinado a oferecer auxílio financeiro a mulheres vítimas de violência doméstica para a aquisição de equipamentos de defesa e participação em cursos de proteção pessoal.
A medida inclui a possibilidade de reembolso de despesas com arma de fogo, taser, spray de defesa pessoal, armamento e tiro, além de aulas de defesa pessoal e artes marciais.
O texto havia recebido vetos do prefeito Sandro Mabel (União), mas os vereadores derrubaram as restrições em votação realizada em 25 de agosto. Com a derrubada dos vetos, a proposta foi promulgada.
A Procuradoria-Geral do Município (PGM) informou que pretende contestar a legislação na Justiça e deverá apresentar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF).
A lei estabelece os auxílios na forma de reembolso. Os limites são:
O projeto é de autoria do vereador Major Vitor Hugo (PL). Após a derrubada dos vetos, ele defendeu que a iniciativa estabelece medidas práticas de proteção para mulheres em situação de violência.
A possibilidade de receber auxílio para comprar uma arma de fogo não é imediata. A legislação determina que a mulher primeiro comprove, durante pelo menos seis meses e sem incidentes, a utilização das alternativas não letais previstas no programa.
Essa comprovação deverá ser feita por meio de avaliação técnica da equipe responsável.
Além disso, a beneficiária precisará cumprir oito requisitos:
O equipamento eletrônico de incapacitação, conhecido como taser, será disponibilizado à beneficiária por meio de comodato durante dois anos.
Caso não sejam registrados incidentes nem descumprimento das regras estabelecidas, a previsão é que o equipamento seja posteriormente doado de forma definitiva à mulher.
Para os cursos de defesa pessoal e artes marciais, o auxílio financeiro terá duração de até três meses. O período poderá ser prorrogado por mais três meses, mediante avaliação técnica.
A PGM havia recomendado o veto de trechos da proposta sob o argumento de que o projeto trataria de assuntos que seriam de iniciativa exclusiva do Poder Executivo e apresentaria incompatibilidades com a Constituição.
Entre os questionamentos apresentados está a competência da União para legislar sobre material bélico e direito penal.
A Procuradoria também apontou a ausência de estudo de impacto financeiro e orçamentário como um dos motivos para considerar a execução da proposta inviável.
Após a promulgação, a Prefeitura informou que pretende levar a discussão ao STF por meio de uma ADI, especialmente em relação aos dispositivos que permitem auxílio financeiro para a aquisição de armas de fogo.
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