Uma rede suspeita de aplicar golpes por meio de falsas campanhas beneficentes na internet arrecadou quase R$ 10 milhões em apenas 45 dias, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A corporação deflagrou uma operação nesta quarta-feira (28) para combater o esquema, que utilizava inteligência artificial para produzir vídeos fictícios e convencer internautas a fazer doações.
As gravações mostravam representações de idosos, crianças e pessoas com doenças graves em situações destinadas a despertar a solidariedade do público. Os investigadores também identificaram o uso de imagens de personalidades conhecidas, como o cantor Gusttavo Lima e os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo. Representações religiosas, incluindo imagens de Jesus Cristo e de Frei Gilson, também apareciam nos conteúdos.
Seis pessoas foram presas em três estados
A operação resultou na prisão de seis pessoas, com ações em diferentes localidades. Duas foram detidas em Planaltina, no Distrito Federal. As demais prisões ocorreram em Planaltina de Goiás, em Goiás, Uberlândia, em Minas Gerais, e Joinville, em Santa Catarina.
Os agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão e medidas judiciais para bloquear recursos financeiros e patrimônio dos investigados. Entre os bens apreendidos estão veículos de luxo e criptomoedas avaliadas em R$ 2,14 milhões.
Doações de até R$ 50 alimentavam o esquema
De acordo com a investigação, os vídeos direcionavam os usuários para páginas que imitavam campanhas beneficentes legítimas. As contribuições solicitadas variavam de R$ 30 a R$ 50, valores relativamente baixos que poderiam facilitar a adesão de um grande número de pessoas.
Depois de recebidos, os recursos eram transferidos para contas bancárias controladas pelo grupo. A polícia aponta que a estratégia permitiu arrecadar quase R$ 10 milhões entre outubro e novembro de 2025, em um período de 45 dias.
No Distrito Federal, aproximadamente 60 ocorrências foram registradas. Os casos envolvem empresas apontadas como destinatárias de valores relacionados às fraudes investigadas.
Suspeitos podem responder por três crimes
Os investigados poderão responder por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As apurações buscam esclarecer a atuação do grupo e as movimentações financeiras relacionadas às campanhas fraudulentas.
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