O Brasil chega neste 31 de março aos 62 anos do golpe militar de 1964, que interrompeu a democracia no país e deu início a um regime que durou até 1985. Em Goiás, os impactos da ruptura institucional aconteceram de forma gradual, mas atingiram diretamente o governo estadual, a Assembleia Legislativa e a estrutura de poder das elites políticas locais.
Na madrugada em que o movimento militar começou, o então governador Mauro Borges divulgou um manifesto em apoio à deposição do presidente João Goulart. No texto, afirmou ver risco ao regime democrático e defendeu a formação de um governo com autoridade, comprometido com reformas realizadas “dentro da lei”. A posição, num primeiro momento, o aproximou do novo comando político instalado em Brasília.
Mesmo com esse alinhamento inicial, o cenário em Goiás rapidamente se tornou instável. A Assembleia Legislativa não foi fechada de imediato, como ocorreu com o Congresso Nacional, mas permaneceu paralisada por mais de um mês, sem votação de projetos. Os trabalhos só foram retomados em maio, quando uma proposta do Executivo foi aprovada.
Apesar da volta ao funcionamento formal, o ambiente político já era marcado por vigilância, insegurança e restrições cada vez maiores. Ainda em maio de 1964, o coronel Danilo Darcy de Sá Mello foi enviado ao estado para assumir o comando do 10º Batalhão de Caçadores, dando início a uma fase mais dura da repressão em Goiás.
Sob sua chefia, foram abertos Inquéritos Policiais Militares (IPMs) que atingiram mais de uma centena de integrantes do governo goiano. Secretários tiveram os direitos políticos cassados, e o próprio Mauro Borges passou a ser investigado por suspeitas de simpatia com o comunismo, apesar de também ser militar. Entre os fatores que alimentaram a desconfiança estavam viagens realizadas por ele ao exterior antes do golpe.
A situação do governador se agravou nos meses seguintes. Mesmo após obter decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando que eventual julgamento deveria ocorrer na esfera estadual, Mauro Borges perdeu força política diante do avanço do regime.
Em novembro de 1964, o presidente Castelo Branco decretou intervenção federal em Goiás. No dia 26 daquele mês, Mauro Borges foi deposto do cargo.
Com a mudança, o comando do estado passou para o coronel Carlos de Meira Mattos, nomeado interventor. Pouco depois, em janeiro de 1965, a Assembleia Legislativa declarou a vacância do cargo e elegeu indiretamente o marechal Emílio Ribas Júnior para o governo estadual.
A partir desse momento, consolidou-se em Goiás uma nova organização política alinhada aos interesses do regime militar. Ribas tentou acomodar grupos tradicionais do estado, distribuindo espaços de poder, mas sempre sob o controle do novo arranjo institucional.
Se em nível nacional o Congresso foi silenciado de forma imediata, em Goiás o processo ocorreu em etapas, embora com o mesmo resultado: o enfraquecimento das instituições democráticas e a submissão do poder civil à lógica imposta pela ditadura.
Em outubro de 1965, o Ato Institucional nº 2 extinguiu os partidos existentes e implantou o bipartidarismo no país. A Arena passou a reunir os apoiadores do regime, enquanto o MDB assumiu o papel de oposição consentida. Em Goiás, a eleição de Otávio Lage, aliado dos militares, naquele mesmo ano — a última escolha direta para governador até 1982 — consolidou a nova configuração política no estado.
Com informações de Mais Goiás.
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