Jovem faz vídeo de Goiânia à 3km de altura Foto: Arquivo pessoal/ Pedro Augusto
Um experimento realizado por um estudante de engenharia da computação de Goiânia chamou atenção nas redes sociais após registrar imagens da capital goiana a mais de 3 mil metros de altitude. O responsável pela iniciativa foi Pedro Augusto de Jesus Castro, de 18 anos, que utilizou um celular preso a balões de gás hélio para captar imagens e coletar dados atmosféricos durante o voo.
O vídeo publicado pelo jovem ultrapassou 2,4 milhões de visualizações e despertou curiosidade sobre como o projeto foi desenvolvido. Apaixonado por astronomia e astrofotografia desde a pandemia, Pedro decidiu transformar seu interesse pela ciência em uma experiência prática.
Para a missão, ele adaptou um Samsung Galaxy S10e, reduzindo seu peso para cerca de 130 gramas e programando o aparelho para transmitir informações em tempo real. Além das imagens, o equipamento enviava dados como temperatura, pressão atmosférica, altitude e localização por GPS.
A primeira tentativa não saiu como planejado. Um dos balões estourou poucos minutos após a decolagem devido ao atrito, fazendo o celular cair em uma área de mata. O aparelho foi recuperado rapidamente, e o estudante decidiu investir em um balão mais resistente para uma nova tentativa.
No segundo lançamento, o equipamento permaneceu cerca de 40 minutos no ar e ultrapassou os 3 mil metros de altitude. Durante o trajeto, o celular registrou imagens da cidade e coletou informações que poderão ser utilizadas em estudos de ciência de dados.
Em determinado momento, Pedro percebeu que o aparelho começou a perder altitude rapidamente. Inicialmente, acreditou que o balão havia estourado. Depois, ao localizar o equipamento, descobriu que o celular havia se desprendido do balão e despencado sozinho.
Mesmo após uma queda estimada em aproximadamente 3,7 mil metros, o aparelho continuou funcionando. Segundo o estudante, apenas pequenas deformações foram observadas nas bordas do celular.
Entre as hipóteses levantadas por ele para explicar a sobrevivência do aparelho estão o baixo peso do equipamento, a possível ação de um papel preso ao celular que teria reduzido a velocidade da queda e o fato de o aparelho ter sido encontrado próximo a uma árvore, que pode ter amortecido o impacto.
Pedro afirma que pretende continuar realizando experiências semelhantes. O próximo objetivo é utilizar um balão meteorológico capaz de alcançar até 30 quilômetros de altitude para registrar imagens da estratosfera.
O caso também chamou a atenção para as regras de segurança do espaço aéreo. Segundo o advogado especialista em Direito Aeronáutico Georges Ferreira, qualquer lançamento de balão não tripulado deve ser previamente autorizado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), independentemente de ser uma iniciativa científica individual.
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