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A Justiça de Goiás condenou a mais de 100 anos de prisão o principal articulador de uma organização criminosa especializada em golpes cibernéticos que atuava em todo o país. A decisão também impôs penas a outros 16 envolvidos no esquema, além da obrigação de pagamento de R$ 5 milhões por danos morais coletivos.
A sentença foi proferida pela 2ª Vara das Organizações Criminosas, que reconheceu a atuação estruturada do grupo, responsável por fraudes que exploravam, principalmente, pessoas idosas e familiares de médicos e advogados. A investigação apontou movimentações financeiras milionárias, uso intenso de linhas telefônicas e a criação de histórias falsas para convencer as vítimas a realizar transferências.
Segundo o processo, o líder Wanderson Barbosa da Silva coordenava toda a dinâmica do esquema, que funcionava de forma organizada e com divisão clara de tarefas, semelhante a uma linha de produção. Cada integrante desempenhava uma função específica para garantir o sucesso dos golpes.
Parte do grupo era responsável pelo controle do dinheiro, com acesso direto às contas bancárias utilizadas para receber e distribuir os valores obtidos ilegalmente. Outros integrantes atuavam diretamente no contato com as vítimas, fazendo ligações e enviando mensagens em que se passavam por parentes, médicos, advogados ou pessoas conhecidas.
A apuração também identificou membros encarregados de organizar bancos de dados com nomes, fotos, telefones e vínculos familiares das vítimas em potencial. Em celulares apreendidos, a polícia encontrou milhares de imagens utilizadas para tornar as abordagens mais convincentes.
Havia ainda participantes utilizados para abrir contas bancárias, receber transferências e repassar os valores, dificultando o rastreamento do dinheiro até os líderes do esquema. De acordo com o Ministério Público, apenas cinco integrantes movimentaram mais de R$ 14 milhões entre 2021 e 2024.
Em um único aparelho apreendido durante a investigação, foram localizados quase 78 mil contatos, o que evidencia a dimensão da estrutura criminosa e o número de pessoas potencialmente afetadas.
A decisão judicial determinou o confisco de veículos, imóveis, joias e outros bens adquiridos com os recursos ilícitos. Todo o patrimônio apreendido será destinado à reparação das vítimas após o encerramento do processo. O valor fixado por danos morais coletivos deverá ser pago de forma conjunta pelos condenados.
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