O juiz Fábio Vinícius Gorni Borsato, da comarca de Goiânia, revogou a prisão preventiva de Bruna Cristine Menezes de Castro, conhecida como “Barbie do crime”, e de sua mãe, Cristiane Lopes Menezes. As duas haviam sido presas no dia 30 de janeiro, na capital, em um processo que apura a prática de estelionato.
A prisão preventiva foi solicitada pelo Ministério Público (MP), sob a justificativa de que as acusadas não teriam sido localizadas no endereço informado no processo e não haviam constituído advogado, o que levantou a suspeita de possível tentativa de obstrução da Justiça.
Na decisão, o magistrado considerou que, após a prisão, ambas passaram a acompanhar regularmente o andamento do processo, o que afastaria a necessidade da manutenção da medida cautelar. “Considerando que a prisão preventiva se fundamentou na ausência de localização das acusadas e que, posteriormente, ambas compareceram ao processo, entende-se que a manutenção da segregação cautelar é descabida”, destacou o juiz.
O advogado de Bruna, André Cardoso, sustentou que a prisão foi desproporcional em relação ao crime investigado e afirmou que sua cliente possui endereço fixo. Segundo ele, Bruna foi presa em casa, onde estava com os três filhos.
Ainda conforme a defesa, Bruna depositou em juízo o valor integral do prejuízo que teria causado à vítima do golpe investigado neste processo, no montante de R$ 3,5 mil. Para o magistrado, o comportamento das acusadas demonstra que não há intenção de dificultar o andamento da ação penal ou de se furtar a eventual aplicação de sanção.
Histórico de investigações
Bruna é investigada por supostos golpes aplicados desde 2011. Conforme processos aos quais o portal Mais Goiás teve acesso, ela é apontada como responsável por mais de 100 ocorrências envolvendo vítimas em Goiás, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
Um dos primeiros registros contra Bruna, hoje com 36 anos, remonta ao período entre 2011 e 2012. Na ocasião, ela teria obtido vantagem financeira de um homem com quem mantinha um relacionamento, alegando estar em tratamento contra um câncer. O prejuízo, segundo a apuração, teria ultrapassado R$ 15 mil.
Já em 2015, ela passou a ser investigada por golpes aplicados pela internet, principalmente por meio da venda de produtos importados anunciados em redes sociais. À época, foi denunciada pelo Ministério Público em 11 ocasiões e condenada por estelionato, com pena convertida em prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa.
De acordo com a Polícia Civil, Bruna utilizava perfis falsos para anunciar produtos como celulares, maquiagens e perfumes. Em um dos casos mais recentes, ela teria recebido R$ 3,1 mil pela venda de um celular que não foi entregue. Em outra situação, uma segunda vítima pagou R$ 700 como entrada pelo mesmo produto, que também não recebeu.
O processo segue em tramitação na Justiça.
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